Mudanças nas Cotas de Importação e os Efeitos para a Pecuária
A entrada de 2026 traz incertezas para os pecuaristas de Mato Grosso, estado que abriga o maior rebanho bovino do Brasil. No último dia do ano passado, a China anunciou a implementação de cotas anuais que restringem a compra de carne bovina de países estrangeiros, incluindo o Brasil, que é seu principal fornecedor. A medida visa proteger a produção local e virá acompanhada de uma taxação de 12% sobre as importações. Além disso, haverá uma sobretaxa de 55% para as compras que superarem os limites estabelecidos.
Essas novas condições exigem uma reavaliação da produção e exportação de carne bovina brasileira, já que as cotas estipuladas são inferiores ao volume atual vendido para a China. A previsão é de que essa mudança possa causar um impacto econômico de até US$ 3 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 16,5 bilhões, nas receitas brasileiras em 2026.
A Preocupação em Mato Grosso e o Valor da Carne Bovina
Mato Grosso, sendo o maior rebanho bovino do Brasil, sente o peso dessa notícia. A China é não apenas um dos maiores parceiros comerciais do estado, mas também o principal consumidor da carne bovina produzida localmente. O padrão conhecido como ‘boi-China’ agrega valor à arroba, levando os pecuaristas a investir esforços significativos para atender às exigências do mercado chinês.
Em nota, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) expressou sua preocupação com as novas medidas de salvaguarda implementadas pela China, afirmando que “para nossa carne bovina, neste final de ano, nos preocupa muito”.
Implicações para a Cadeia Produtiva
Os grandes frigoríficos brasileiros já demonstraram apreensão em relação aos efeitos que essas novas regras podem ter em toda a cadeia produtiva. Qualquer incidente, seja ele sanitário ou econômico, tende a gerar repercussões negativas para o pecuarista, que acaba arcando com as consequências. Um exemplo claro disso foi o episódio conhecido como tarifaço nos EUA, que resultou na queda abrupta dos preços da arroba devido a um único importador.
Representantes do setor acreditam que os frigoríficos têm capacidade de redistribuir o excedente sobretaxado para outros mercados, evitando manobras especulativas que prejudicariam os produtores brasileiros. “Acreditamos no bom senso, certos de que o produtor brasileiro precisa ser valorizado e respeitado, especialmente neste momento de incerteza e transição”, afirmou a diretoria da Acrimat.
Mato Grosso em Números
De acordo com dados do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea), Mato Grosso possui aproximadamente 31,6 milhões de cabeças de gado distribuídas em 106 mil estabelecimentos rurais. As informações foram coletadas entre novembro e início de dezembro, confirmando a liderança do estado no rebanho bovino nacional, bem à frente do Pará, que ocupa o segundo lugar com 25,5 milhões de bovinos.
Os municípios que se destacam na criação de gado são Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Juara, que juntos somam mais de 3,3 milhões de bovinos. Outros municípios importantes incluem Colniza, Juína, Alta Floresta, Pontes e Lacerda, Nova Bandeirantes, Porto Esperidião e Aripuanã, consolidando a força do setor na região.
