Uma Nova Temporada de Arte e História
No coração pulsante do Rio de Janeiro, o Paço Imperial, edifício histórico e cultural, prepara-se para um momento especial. A instituição, que já foi palco de eventos significativos na história do Brasil, celebrará seus 40 anos como centro cultural com uma nova programação de exposições, a ser inaugurada no dia 28 de março. Este evento é parte das comemorações que se estenderão até 2025, destacando a importância do espaço na promoção da arte contemporânea.
A grande atração da temporada será a exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que ocupará 12 salões e os dois pátios internos do edifício. Com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas de várias gerações, a mostra visa refletir sobre a história e o futuro do Paço. A curadoria é compartilhada entre Claudia Saldanha, atual diretora do Paço, e Ivair Reinaldim, professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, com o apoio da equipe da instituição.
Entre os artistas que terão suas obras expostas estão nomes consagrados da arte brasileira, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Hélio Oiticica, entre outros. Segundo os curadores, o Paço Imperial se consolidou não apenas como um monumento, mas como um espaço de diálogo e encontro no circuito das artes visuais da cidade.
Diálogo Entre Gerações e Estilos
A exposição tem como conceito a ideia de constelação, que se refere a um conjunto de estrelas que, apesar da distância, formam um padrão reconhecível. Assim, o Paço reunirá artistas de diferentes gerações e estilos, distribuídos em nove núcleos temáticos: “Paisagem”, “In Situ”, “Simbiose”, “Construção”, “Geografias”, “Corpos”, “Fortunas”, “Terra e Mar” e “Cidade”. Essa abordagem não segue uma cronologia rígida, permitindo ao visitante criar um percurso único por meio do espaço.
“Nosso objetivo é que o público possa fazer seu próprio trajeto. Eles poderão começar pelo andar que quiserem e entrar por qualquer portão. Decidimos não categorizar as obras, refletindo nossa proposta de diversidade”, explica Claudia Saldanha, que está à frente do Paço há uma década.
Um dos destaques da mostra será um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx, montado em parceria com o Sítio Roberto Burle Marx, que dialogará com obras de Elizabeth Jobim. Além disso, a coleção incluirá trabalhos inéditos, como a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, que utiliza materiais coletados na feira da Praça XV. Outros artistas, como Marcelo Monteiro e Regina de Paula, também apresentarão obras criadas especialmente para a exposição.
Reflexões Audiovisuais e Ações Educativas
Outro núcleo significativo da mostra será dedicado a 15 vídeos históricos, produzidos nas décadas de 1980 e 1990, os quais documentam experimentações audiovisuais realizadas em colaboração com artistas como Lygia Pape e Tunga. Esses filmes não são meros registros, mas sim obras autônomas, fruto da parceria entre artistas e cineastas.
Além das exposições, a programação comemorativa inclui seminários, oficinas e atividades educativas, permitindo que o público se aprofunde ainda mais na história do Paço. Uma linha do tempo também estará disponível, retratando a trajetória do edifício desde sua construção até sua transformação em um centro cultural em 1985.
Outras Exposições em Destaque
A nova programação também trará mostras individuais, como “O que sustenta”, do artista pernambucano Marcelo Silveira, que explora a relação entre equilíbrio e instabilidade por meio de uma instalação feita com varas de madeira e novelos de linho. Já a exposição “Toró”, da artista Niura Bellavinha, ocupará o terreiro do Paço e apresentará obras que refletem sobre transbordamentos e transformações. No dia da inauguração, intervenções na fachada do edifício irão evocar episódios da história colonial brasileira, com tinta vermelha escorrendo por telas brancas.
Essas exposições e eventos prometem resgatar a importância do Paço Imperial como um ponto de referência na cena cultural carioca, estimulando o diálogo entre passado e presente, e celebrando a diversidade da arte brasileira contemporânea.
