A Crítica à Ostentação dos Ricos
Recentemente, tive a oportunidade de ler uma crônica na Folha de S. Paulo, escrita pela talentosa Becky S. Korich, intitulada “A performance brega do novo milionário”. Ela faz uma crítica contundente e divertida à ostentação dos super-ricos, que exibem sua riqueza de forma escandalosa. Festas barulhentas em locais luxuosos, gastos exorbitantes com noivados e casamentos extravagantes com influenciadores digitais se tornaram comuns, e Korich descreve tudo isso como ‘coisa brega’. Fica até a impressão de que, para completar esse quadro caricaturesco, só faltaria a trilha sonora do cantor Waldick Sorano: ‘Eu não sou cachorro não’.
Entretanto, é importante refletir sobre o que realmente está por trás desse comportamento. O dinheiro, esse grande corruptor, aparece diariamente nas telas da televisão, associado às operações da Polícia Federal. Sua influência é tão forte que já chegou até a afetar o sono de um deputado estadual no Rio de Janeiro.
A História do Dinheiro e sua Correlação com a Corrupção
Desde os tempos antigos, o dinheiro tem desempenhado um papel central na história da humanidade. Lembro-me de uma passagem bíblica, quando os fariseus questionaram Jesus sobre a legitimidade de pagar tributos. A resposta do mestre foi clara: ‘Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus’. O dinheiro, portanto, sempre foi um agente de corrupção, como exemplificado pela traição de Judas, que trocou Jesus por uma quantia em moedas. Padre Antônio Vieira também ressaltou que, se o diabo pôde oferecer a Jesus todas as riquezas do mundo, isso indica que o dinheiro detém um poder corrompedor.
Mas voltando às palavras de Korich, é interessante notar como ela resgata o pensamento da falecida Fernanda Young. Em uma de suas crônicas, Young reflete sobre o mau gosto existencial no Brasil, questionando: ‘Existe algo mais brega do que um rico roubando?’. Becky conclui sua análise afirmando que ‘rico é quem dorme tranquilo’, ressaltando que a verdadeira riqueza está na paz interior.
A Necessidade de Moralidade nas Instituições
Infelizmente, o dinheiro tem invadido as instituições, levando a uma crescente desconfiança da população em relação a elas. Contudo, devo afirmar que essa é uma generalização que não se sustenta. No Parlamento, ainda existem homens e mulheres comprometidos com o espírito público que condenam essa corrupção. A minha vivência nos corredores do poder me mostrou que a integridade é uma virtude ainda presente, embora desafiada pelos tempos atuais.
Com uma trajetória de 40 anos como senador e 12 como deputado federal, tive o privilégio de vivenciar momentos marcantes da história brasileira. Desde o suicídio de Getúlio Vargas até a Transição Democrática, na qual fui protagonista, sempre acreditei que o caminho para a política deve ser marcado pela correção e pela austeridade. O domínio do dinheiro, que corrompe os Poderes, exige um combate incessante para garantir a moralidade pública. Isso não se resume apenas à ação penal, mas requer um comportamento político que valorize a ética.
A Luta Contra a Corrupção e o Fortalecimento da Democracia
A corrupção não ataca apenas o desejo de poder, mas também as bases da democracia. Até mesmo figuras históricas, como Péricles, enfrentaram calúnias por parte de opositores e tiveram que defender a integridade dos princípios democráticos. Portanto, a luta contra a corrupção é essencial para proteger a democracia e restabelecer a confiança da população nas instituições.
Com isso, finalizo ressaltando que o desafio é grande, mas a esperança deve prevalecer. A moralidade deve ser um princípio norteador das nossas ações, e o compromisso com a ética é fundamental para reconstruir os laços de confiança entre o povo e seus representantes.
