Treinamento Inaugural no Amapá
O Amapá se destaca como pioneiro ao se tornar o primeiro estado brasileiro a receber o treinamento presencial do Projeto-Piloto de Migração da Insulina NPH para Glargina. Essa iniciativa, promovida pelo Ministério da Saúde, tem como objetivo principal aprimorar o abastecimento e diversificar as opções terapêuticas no tratamento do diabetes oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A capacitação representa uma fase estratégica do projeto, que está em avaliação para identificar possíveis desafios logísticos e operacionais antes de sua implementação em outras partes do país.
A migração abrange a transição da insulina humana NPH para a insulina glargina, um medicamento sintético de ação prolongada, desenvolvido em colaboração entre um laboratório privado e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Essa mudança será gradual, sem a intenção de substituir completamente a insulina NPH, garantindo a segurança clínica do paciente e a continuidade do tratamento conforme a avaliação médica individual.
Objetivo da Iniciativa
Durante o treinamento realizado no Amapá, o coordenador de Assistência Farmacêutica da Atenção Básica do Ministério da Saúde, Rafael Poloni, ressaltou que o principal intuito da iniciativa é evitar a desassistência e o desabastecimento para pacientes que necessitam de insulina no SUS. “Nosso objetivo, enquanto Ministério, é garantir que não haja desabastecimento nem desassistência para pacientes insulinizados. Por isso, a migração será gradual e sempre levará em consideração as orientações médicas”, declarou.
Diabetes Tipo 1 e Tipo 2
De acordo com Poloni, o projeto-piloto foi iniciado em quatro localidades estratégicas: Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná, abrangendo diferentes regiões do Brasil. Ele destacou que a insulina glargina já é utilizada no SUS para pacientes com diabetes tipo 1, e agora, também está sendo avaliada para a inclusão no tratamento do diabetes tipo 2.
O coordenador enfatizou a importância da nova estratégia em razão da escassez global da insulina NPH, que tem sido observada desde 2023. “As insulinas humanas são antigas, eficazes e continuarão disponíveis no SUS. No entanto, o mercado internacional está perdendo o interesse na produção desse tipo de insulina, o que está dificultando a sua aquisição. A nova abordagem amplia as opções terapêuticas e garante a continuidade da assistência aos pacientes”, afirmou.
Amapá como Modelo de Inovação
A secretária adjunta da Assistência Hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Macelir Kobayashi, expressou orgulho pelo Amapá ser o primeiro estado brasileiro a receber esse treinamento. “Estamos muito agradecidos por essa oportunidade. Aceitamos o convite do Ministério da Saúde porque compreendemos a relevância de preparar nossas equipes para essa migração de forma gradual, segura e responsável”, enfatizou.
Ela reforçou que não haverá descontinuidade no fornecimento da insulina NPH, esclarecendo que nunca haverá um momento em que apenas a glargina estará disponível. “A NPH continuará a ser oferecida normalmente aos pacientes. O processo requer capacitação e um diálogo constante com os profissionais de saúde, além de orientação ao público”, destacou.
Impacto do Treinamento na Prática
O treinamento do projeto-piloto ocorreu no auditório do Conselho Regional de Farmácia, em Macapá, e contou com a participação de profissionais da rede estadual e municipal de saúde. Essa iniciativa reafirma o papel do Amapá na adoção de novas tecnologias em saúde e no fortalecimento da assistência farmacêutica no SUS.
Uriel Almeida, gerente do Centro de Abastecimento Farmacêutico (CAF) da Sesa, comentou sobre o impacto significativo da iniciativa: “Esse projeto-piloto é relevante por trazer o próprio Ministério da Saúde para orientar a rede. O farmacêutico frequentemente é o primeiro contato do paciente antes do uso do medicamento, e esse treinamento assegura uma migração segura, evitando prejuízos ao tratamento”, explicou.
Uriel também ressaltou que a capacitação é fundamental para padronizar critérios de prescrição, dispensação e acompanhamento dos pacientes. “A glargina já é utilizada no SUS, principalmente para diabetes tipo 1, e agora o Ministério da Saúde está ampliando o acesso para diabetes tipo 2. Isso exige um preparo técnico das equipes, e o conhecimento adquirido aqui fortalece toda a rede”, finalizou.
Com essa ação, o Governo do Amapá reafirma seu compromisso com a saúde pública, atuando em conjunto com o Ministério da Saúde para garantir o acesso contínuo a medicamentos essenciais e promover a adoção responsável de novas tecnologias no SUS.
