A Tradição do Marabaixo na Sapucaí
No coração da Marquês de Sapucaí, um dos palcos culturais mais emblemáticos do mundo, o Amapá e seu povo estarão em destaque durante o Carnaval de 2026. Quinze marabaixeiros amapaenses farão parte da bateria da Estação Primeira de Mangueira, apresentando para o público o som ancestral da caixa de marabaixo, que é um verdadeiro símbolo da cultura afro-amazônica do estado.
Além dos representantes amapaenses, entre 15 e 20 músicos cariocas foram convidados para aprender a tocar o instrumento, promovendo um intercâmbio cultural significativo e expandindo o alcance dessa manifestação tradicional tão rica.
A escolha do tema do desfile da Mangueira, “Mestre Sacaca do encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”, homenageia Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca. Essa figura notável na história do Amapá é reconhecida por seu profundo conhecimento sobre plantas medicinais da Amazônia e por seu papel como defensor da floresta e incentivador da cultura popular.
A presença do marabaixo no desfile é uma declaração cultural poderosa, que traz à tona elementos que fazem do Amapá um estado único na cena cultural brasileira. A caixa de marabaixo, integrada à bateria da Mangueira, será a responsável por conduzir o samba-enredo, simbolizando um encontro entre a cultura tucuju e o samba carioca, e projetando a força da ancestralidade negra amazônica para todo o país e o mundo.
Um Marco Histórico para o Amapá
Wendell Uchoa, compositor e marabaixeiro, que também fará parte do desfile tocando a caixa, destaca a importância dessa participação. “O samba-enredo da Mangueira celebra nossa identidade como marabaixeiros, e é uma oportunidade única de apresentar nossa cultura no maior palco a céu aberto do planeta. É fundamental que as pessoas reconheçam a origem de nossa manifestação cultural”, afirma Uchoa. Ele menciona a calorosa recepção da comunidade do Morro da Mangueira e como a divulgação dos ensaios está proporcionando a visibilidade que o Amapá merece.
A Caixa de Marabaixo: Um Instrumento de Resistência
Para além de ser um mero instrumento musical, a caixa de marabaixo representa a memória, a resistência e a identidade do povo negro do Amapá. Produzida artesanalmente, com corpo de madeira e couro natural, cada caixa possui características singulares. Com seu som profundo e envolvente, que é tocado com duas baquetas, o instrumento estabelece o ritmo da dança e do canto coletivo, criando uma ligação íntima com as comunidades tradicionais.
Esta caixa é presença constante nas festividades populares e religiosas do Amapá, transcendendo o Ciclo do Marabaixo e se manifestando em variadas celebrações e expressões culturais. Sempre reverenciando a ancestralidade africana, é um símbolo que fortalece os vínculos comunitários, preserva memórias e reafirma identidades.
Um Legado Cultural Duradouro
Reconhecida como patrimônio cultural do estado, a caixa de marabaixo continua a ser transmitida de geração em geração. O instrumento notável é um testemunho da resistência e da história de pessoas escravizadas e seus descendentes, que mantêm essa tradição viva.
Wendell Uchoa expressa sua gratidão pela experiência de vivenciar a cultura da Mangueira, ressaltando a energia contagiante durante os ensaios. “É emocionante ver todos entoando o samba e vibrando com o som de nossos instrumentos. Estou certo de que nossos ancestrais se sentem orgulhosos com esse encontro cultural que o estado do Amapá está proporcionando”, conclui Uchoa.
Com essa participação marcante no Carnaval carioca, o Governo do Amapá reafirma seu compromisso com a valorização e preservação da cultura afro-amazônica, levando o som vibrante da caixa de marabaixo a ecoar com orgulho no maior espetáculo popular do planeta.
