Preocupações com a Inserção Política na Mangueira
Uma polêmica envolvendo a Estação Primeira de Mangueira está gerando discussões acaloradas entre os torcedores da escola de samba. O enredo escolhido para o carnaval de 2026, intitulado “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra”, levanta questões sobre a influência da política no desfile. O nome de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e sua relação com a escola têm sido alvo de críticas dentro do Buraco Quente. Os fãs da verde-e-rosa temem que o desfile acabe sendo mais sobre a política do que sobre a cultura e a tradição carnavalesca.
Com a colaboração de Alcolumbre, a Mangueira receberá um investimento de R$ 10 milhões, oriundos do estado do Amapá, como patrocínio. Este valor representa o terceiro maior contrato de fomento firmado pela gestão do governador Clécio Luís (SDD), um dos aliados do presidente do Senado, em 2025. A questão que fica é: como essa relação política irá impactar a autenticidade e a essência do desfile?
Enredo e Cultura Amazônica
Assinado pelo renomado carnavalesco Sidnei França, o enredo busca celebrar a sabedoria popular, a resistência e a rica cultura amazônica amapaense, personificada na figura de Mestre Sacaca — um curandeiro que se destaca como cientista da floresta. O desfile promete explorar a “Amazônia Negra”, trazendo à tona a história afro-indígena, rituais, ervas medicinais e a ancestralidade. Entre os destaques estão os rituais do Turé e os mistérios da floresta, que visam reforçar a importância cultural da região. Contudo, a presença de Alcolumbre à frente do desfile é motivo de descontentamento entre alguns segmentos da escola.
Credenciais de Pista e a Delegação do Amapá
As novas regras estabelecidas pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que entraram em vigor no ano passado, provocaram mudanças significativas na dinâmica dos desfiles. As credenciais de pista, que outrora eram amplamente distribuídas, agora estão restritas às escolas, limitando o acesso à avenida. Essa situação tem gerado rumores de que as credenciais da Mangueira estariam sendo concedidas à delegação do Amapá, ampliando a preocupação dos torcedores sobre a presença excessiva de políticos na ala que representa a escola.
Controvérsias na Escolha do Samba Enredo
Não é a primeira vez que a Mangueira se vê envolta em polêmicas. Na madrugada de 28 de setembro, a escolha do samba enredo deixou muitos torcedores insatisfeitos. Durante a final, a decisão musical polarizou os presentes no Palácio do Samba, resultando em um silêncio constrangedor após o anúncio do vencedor. Vídeos desse momento se espalharam nas redes sociais, gerando reações negativas que variaram de críticas a manifestações de apoio ao “choro de perdedor”. Alguns torcedores acreditam que a insatisfação foi amplificada por opositores à direção da escola.
A Lição da Beija-Flor
A situação atual da Mangueira traz à mente o exemplo da Beija-Flor, que enfrentou um revés semelhante no carnaval de 2024. Com um enredo patrocinado pela prefeitura de Maceió e a presença do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a escola acabou conquistando o oitavo lugar, um resultado que muitos consideram um rebaixamento simbólico para a Série Ouro. Esse episódio serve como alerta para a Mangueira, que deve navegar cuidadosamente entre a política e a tradição a fim de preservar sua identidade no carnaval.
