Amazônia e Identidade Nordestina no Carnaval
Na última noite de desfiles da Marquês de Sapucaí, a Estação Primeira de Mangueira foi a última a cruzar a avenida, levando o Amapá — um estado da Região Norte do Brasil — ao centro das atenções durante o maior espetáculo do Carnaval. Ao apresentar um enredo que destaca a força cultural, espiritual e ancestral do povo tucuju, a escola verde e rosa colocou o extremo Norte do país sob os holofotes, atraindo a atenção nacional e internacional. As informações são do jornal O Globo.
O desfile fez uma homenagem a Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca (1926-1999), um renomado sábio das ervas, xamã e babalaô, que se tornou um ícone da cultura amapaense. A apresentação foi além de mera biografia, ao imergir o público nas vivências, saberes e na espiritualidade da Amazônia, reafirmando a identidade do Amapá dentro da pluralidade cultural brasileira.
Um Desfile Sensorial que Encanta
Segundo o carnavalesco Sidnei França, o espetáculo foi definido como um desfile “sensorial”, capaz de fazer com que a Sapucaí sentisse a presença da Amazônia. Desde o abre-alas, que trouxe o som de pássaros da floresta, até a última alegoria, que ecoou sons de onças, macacos e aves, cada detalhe foi pensado para imergir o público na experiência amazônica. Os aromas característicos da região, como patchuli, alfazema, alecrim e o cheiro de terra molhada, também contribuíram para a atmosfera mágica do desfile.
A comissão de frente, que apresentou onças articuladas, chamou a atenção de todos. Essas esculturas, elaboradas por artesãos de Parintins, no Amazonas — cidade natal de Mestre Sacaca —, ressaltaram a integração cultural da Região Norte com o restante do Brasil.
Representações e Homenagens ao Amapá
Durante o desfile, o público teve a oportunidade de ver referências ao Oiapoque, município que é considerado o extremo Norte do Brasil, além de representações dos rios amazônicos que são fundamentais para a vida e a identidade amapaense. Em várias alas, os integrantes usaram barbas postiças, simbolizando pretos velhos e curandeiros, o que reforçou a profundidade espiritual do enredo.
Mais de 50 membros da família de Mestre Sacaca viajaram do Amapá para o Rio de Janeiro, e muitos deles desfilaram no último carro, onde uma escultura do homenageado foi cercada por folhagens, simbolizando a reverência à ancestralidade da região nordestina. Essa ação não apenas trouxe emoção ao público, mas também uma conexão genuína com as raízes culturais do Amapá.
Um Carnaval que Transcende Fronteiras
Com os primeiros raios de sol surgindo, evocando os tempos em que os desfiles se estendiam pela madrugada, a Mangueira arrastou uma multidão pela Sapucaí. Junto com ela, o Amapá e toda a sua rica herança cultural foram celebrados no coração do Carnaval brasileiro, destacando a importância da diversidade cultural e a força da Região Norte no cenário nacional.
