Carnaval como Palco de Articulações Políticas
A primeira noite de desfiles no Sambódromo do Rio de Janeiro não foi apenas uma celebração do carnaval, mas também um importante cenário para manobras políticas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença no camarote do prefeito Eduardo Paes, enquanto autoridades do governo e figuras políticas se reuniam para discutir o futuro. Entre homenagens e movimentações eleitorais, a Marquês de Sapucaí se transformou em um verdadeiro palanque para interesses políticos, que transcendiam os ritmos dos sambistas.
Lula, que foi homenageado pela Acadêmicos de Niterói, fez uma rápida aparição na pista. Seu desfile levantou questões sobre propaganda eleitoral antecipada, dada a proximidade das eleições. Ao interagir com os componentes da escola de samba, ele destacou sua trajetória desde a infância até a presidência, antes de retornar ao camarote para aplaudir a performance.
O Papel dos Ministros e a Estratégia do Governo
O time do governo que participou do evento incluiu nomes como Anielle Franco (Ministério da Igualdade Racial) e Alexandre Padilha (Ministério da Saúde). Sob orientação da Advocacia-Geral da União (AGU), as autoridades evitaram se manifestar sobre a homenagem, uma prudência que visava evitar complicações jurídicas no contexto eleitoral. A presença da primeira-dama, Janja da Silva, também foi marcada por mudanças inesperadas, gerando especulações sobre os motivos da alteração em sua participação.
As escolas de samba, como a Acadêmicos de Niterói, receberam apoio financeiro significativo das prefeituras e do governo estadual. Isso suscitou preocupações sobre a utilização de recursos públicos em eventos que, segundo a legislação, não devem favorecer candidatos.
Figuras Políticas e Tradições Quebradas
Entre os presentes, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, e Aloizio Mercadante, atual presidente do BNDES, se destacaram na plateia. A participação de deputados do PSOL, como Tarcísio Motta e Henrique Vieira, que romperam a tradição do partido de evitar o carnaval, foi um ponto notável. Esse movimento reflete uma nova dinâmica nas relações políticas, especialmente em um ano eleitoral.
Enquanto isso, o governador do Rio, Cláudio Castro, resolveu quebrar a norma de silenciar a música durante a passagem das escolas, optando por aumentar o volume em seu camarote, o que gerou reações variadas entre os espectadores.
Controvérsias e Cuidados no Carnaval
A presença de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, também trouxe à tona discussões sobre financiamento de escolas de samba. Ele participou da festividade, mas optou por não desfilar, alegando não ter habilidades de passista, em uma tentativa de minimizar as críticas sobre o uso de verbas públicas.
Além das articulações políticas, o desfile deste ano também apresentou um enredo especial em homenagem ao estado do Amapá, refletindo a união entre carnaval e política, com patrocínios significativos destinados a apoiar a cultura.
Uma Noite de Conexões e Reflexão
Enquanto alguns líderes políticos assistiam aos desfiles à distância, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que preferiu acompanhar o evento em Macapá, outros, como João Drumond, pré-candidato a deputado estadual, aproveitaram a ocasião para reforçar suas conexões políticas, fazendo discursos motivacionais antes dos desfiles.
Com os olhos voltados para 2026, o carnaval carioca se apresenta não apenas como uma festa cultural, mas como um espaço de mobilização política e social, onde decisões e alianças podem ser formadas sob os ritmos vibrantes das escolas de samba.
