Compromisso com a Transparência e o Combate à Corrupção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou, nesta quinta-feira (5), sua convicção de que as investigações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master irão esclarecer o envolvimento de “magnatas que fazem palpites na economia brasileira”. Durante uma entrevista, Lula ressaltou que as apurações irão “às últimas consequências” para um esclarecimento completo dos fatos.
Lula confirmou ter recebido o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em seu gabinete em 2024, na companhia do ex-ministro Guido Mantega. Na ocasião, o presidente garantiu a Vorcaro que não haveria uma postura política favorável ou contrária ao banco, mesmo com a instituição já enfrentando uma crise de liquidez. Vorcaro, por sua vez, se sentia “perseguido” e apontou que havia outros jogadores do mercado financeiro buscando sua queda.
Após o encontro, Lula convocou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para discutir as alegações do banqueiro. “A intenção era buscar apoio da procuradoria, pois estávamos diante da primeira chance real de capturar os magnatas da corrupção e da lavagem de dinheiro no país. Não nos importamos se isso envolve políticos, partidos ou bancos. Quem estiver nesse jogo terá que arcar com o custo da irresponsabilidade que causou um rombo econômico histórico”, declarou o petista em uma conversa com o UOL.
Lula também se posicionou em defesa do ex-ministro Ricardo Lewandowski, atualmente responsável pela pasta da Justiça e Segurança Pública, que firmou um contrato de consultoria com o Banco Master antes de assumir o cargo. O presidente esclareceu que Lewandowski deixou de atender Vorcaro assim que fez parte do governo, buscando evitar qualquer conflito de interesse.
Durante a mesma entrevista, Lula frisou que toma “todo o cuidado para não ultrapassar os limites” de sua função presidencial e enfatizou que se limita a tomar decisões dentro de sua alçada. Contudo, ele ordenou aos órgãos competentes que investiguem “até as últimas consequências”, incluindo os contratos estabelecidos por estados com o Banco Master referentes à alocação de recursos previdenciários de servidores. Essas transações recentes, que envolvem fundos do Rio de Janeiro e do Amapá – onde o senador Davi Alcolumbre (União-AP) possui sua base eleitoral – estão sendo analisadas, embora o senador não esteja sob investigação.
Lula também se referiu a investigações mais amplas, mencionando “falcatruas” ligadas ao Banco de Brasília (BRB), que tentou adquirir uma parte do Banco Master – uma transação que foi recusada pelo Banco Central. O BRB já adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro, identificadas como fraudulentas pelas investigações.
Além disso, o presidente planeja levar uma comitiva aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente Donald Trump no início de março. Entre os integrantes estão o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e o secretário-geral da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. O objetivo da visita é transmitir a Trump a disposição do Brasil em ser um parceiro no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
Por outro lado, Lula se mostrou cauteloso ao se pronunciar sobre a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou uma Comissão Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo do Banco Master, afirmando que atua dentro das limitações do seu cargo e orienta as entidades subordinadas a conduzir as investigações necessárias.
