Polícia Federal e Ministério Público do Amapá em Foco
Uma investigação está em andamento, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Amapá, para esclarecer se o ex-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, sofreu pressão externa nos aportes de R$ 400 milhões no Banco Master. Lemos renunciou ao cargo em 11 de fevereiro, apenas dias após ser alvo da Operação Zona Cinzenta, um desdobramento da chamada Compliance Zero.
Jocildo Lemos, que foi nomeado para liderar o fundo de previdência dos servidores estaduais do Amapá pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está sob a mira das investigações que versam sobre três pontos principais: a possibilidade de influência política na aprovação dos investimentos, se a decisão foi apressada para evitar questionamentos técnicos e se o credenciamento do banco foi adequado para proteger os recursos previdenciários.
Denúncias e Auditoria em Foco
De acordo com fontes que acompanham o caso, a investigação começou após uma auditoria do Ministério da Previdência Social, que levantou indícios de possível influência externa nas decisões que levaram a Amapá Previdência a investir em letras financeiras do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que não contavam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O primeiro aporte, que somou R$ 200 milhões, foi autorizado no dia 12 de julho de 2024. Durante a reunião, Lemos fez um desabafo, afirmando que a decisão “tirou um peso das [suas] costas”, o que, para os auditores, pode sugerir um possível comprometimento ou influência externa em suas decisões.
Na semana seguinte, um conselheiro, identificado como o principal articulador dos investimentos no Banco Master, propôs um novo aporte de R$ 100 milhões. No entanto, essa proposta enfrentou uma resistência maior por parte dos conselheiros, com dois dos cinco integrantes do conselho solicitando uma abordagem mais cautelosa.
Minimização de Riscos e Aportes Subsequentemente Aprovados
Documentos revelam que Lemos minimizou as preocupações levantadas, chegando a descrever o parecer técnico da Caixa Econômica Federal, que classificou a operação como “altamente arriscada”, como meras “histórias do mercado”. Apesar dos alertas, a proposta foi aprovada por três votos a dois. Outro aporte de mais de R$ 100 milhões no Banco Master foi autorizado em uma reunião realizada em 30 de julho.
Recentemente, em nota oficial, a Amprev divulgou que já tomou as providências judiciais necessárias para assegurar o ressarcimento dos valores investidos e expressou a expectativa de que a Justiça seja feita.
Amprev e Seus Investimentos
A Amapá Previdência se sente prejudicada pelas ações do Banco Master e não hesita em buscar compensações. A autarquia já ingressou com as ações judiciais pertinentes e obteve o bloqueio de pagamentos ao banco. Em sua comunicação, a instituição reforçou que os investimentos realizados no Banco Master, validados pelo Banco Central, representam 4,7% do total da sua carteira.
Além disso, a Amprev destacou que, sob sua gestão, o patrimônio cresceu expressivos 41% entre 2023 e 2025, garantindo a continuidade dos pagamentos aos aposentados e pensionistas até 2059.
