Irã Aumenta Importações do Agronegócio Brasileiro
A balança comercial do agronegócio brasileiro, que já vinha apresentando resultados recordes nos últimos anos, continua a superar expectativas em 2023. Entre os meses de janeiro e abril, as exportações do setor alcançaram US$ 54,2 bilhões, representando um crescimento de 2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda nos preços das principais commodities, o Brasil se destaca pelo volume elevado que ainda possui para exportação.
As importações também mostraram um ritmo acelerado, totalizando US$ 11,2 bilhões, o que representa um avanço de 5% em relação ao mesmo intervalo de 2022. A maior parte dessas compras está relacionada aos fertilizantes, que somaram US$ 4,3 bilhões, com a importação de 11,8 milhões de toneladas desse insumo nos primeiros quatro meses de 2023. Os produtos agroquímicos, com 197 mil toneladas importadas, também contribuíram significativamente para os gastos no setor.
Um dos principais destaques nesse cenário é o Irã. Mesmo em meio ao conflito, o país aumentou suas importações do Brasil em 49% durante março e abril. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os iranianos adquiriram 610 mil toneladas de soja e 511 mil toneladas de farelo de soja nesse período, além de 136 mil toneladas de milho.
Irã na Liderança das Importações de Milho e Farelo de Soja
Atualmente, o Irã ocupa a segunda posição entre os maiores importadores de milho do Brasil no primeiro quadrimestre de 2023, além de ser o terceiro na importação de farelo de soja e o décimo na aquisição de soja. Entre janeiro e abril, os iranianos investiram US$ 912 milhões em produtos agrícolas brasileiros, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2022.
O crescimento das exportações totais do agronegócio neste ano é impulsionado principalmente pelo complexo soja — que inclui grão, farelo e óleo — e pelas três principais carnes do Brasil: bovina, suína e de frango. Em abril, a soja e seus derivados renderam US$ 8,1 bilhões, totalizando US$ 20,1 bilhões nos quatro primeiros meses do ano. As carnes, por sua vez, atingiram a marca de US$ 11 bilhões, um aumento de 20% comparado ao mesmo período do ano passado. O principal responsável por essa receita é a carne bovina, especialmente devido ao aumento das exportações para a China.
Crescimento das Exportações de Carne Bovina e Perspectivas Futuras
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) revelou que o Brasil exportou 1,09 milhão de toneladas de carne bovina até o momento, o que significa um crescimento de 15% em relação aos primeiros quatro meses de 2022. As receitas geradas, impulsionadas pelo aumento médio dos preços, alcançaram US$ 6 bilhões, representando uma alta de 33%.
No entanto, é importante ressaltar que o ritmo acelerado das exportações de carne bovina pode desacelerar a partir do segundo semestre. O Brasil possui uma cota de 1,1 milhão de toneladas para exportação à China, sem a necessidade de pagar uma taxa extra de 55%. De acordo com o governo chinês, já foram atingidos 50% desse volume permitido.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as carnes suínas e de frango também apresentaram evolução nas receitas. As vendas de carne de frango alcançaram US$ 3,7 bilhões, enquanto as vendas de carne suína totalizaram US$ 1,24 bilhão no mesmo período.
Desafios no Setor: Café e Açúcar em Queda
Entretanto, nem todos os produtos do agronegócio brasileiro estão em alta. O café e o açúcar, dois itens fundamentais na balança comercial, não tiveram o mesmo desempenho que as soja e carnes, apresentando queda nas receitas. Essa situação se deve, em grande parte, à desaceleração dos preços internacionais, em meio a perspectivas de um fornecimento mais abundante dessas matérias-primas.
