Acesso à vacina contra HPV é reforçado
No Amapá, a cobertura vacinal contra o papilomavírus humano (HPV) permanece insatisfatória. Em 2026, o estado contabilizou 65 novos casos da infecção, conforme dados do Centro de Referência em Doenças Tropicais (CRDT). Essa situação alarmante se agrava com a divulgação recente de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta que cerca de 1,5 milhão de adolescentes em todo o país estão desprotegidos contra o HPV, além de outros 4,2 milhões em situação vulnerável à infecção.
O HPV é uma infecção sexualmente transmissível comum, afetando aproximadamente 80% das pessoas que mantêm vida sexual ativa, com sintomas frequentemente furtivos que dificultam o diagnóstico precoce.
Vacinação como a melhor forma de prevenção
A vacinação se destaca como a principal estratégia para prevenir a infecção pelo HPV. O Ministério da Saúde está empenhado em aumentar a cobertura vacinal, oferecendo a vacina gratuitamente a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, agora em uma única dose. Em Macapá, a vacina está acessível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Para receber a imunização, é necessário apresentar o cartão de vacina, o cartão do SUS ou CPF, além de um documento de identificação com foto.
A diretora do Departamento de Imunobiológicos, Cleumar Brito, enfatiza a importância da campanha que visa atingir tanto meninos quanto meninas nessa faixa etária. “A dificuldade anterior estava relacionada à necessidade de retornar para a segunda dose. Agora, a vacina é administrada em dose única. Além disso, a faixa etária foi estendida para jovens de 15 a 19 anos, mas essa opção estará disponível apenas até o dia 19 de junho deste ano”, explicou.
Tratamento e diagnóstico da infecção por HPV
O acompanhamento dos pacientes diagnosticados com HPV no Amapá é realizado pelo CRDT, que registrou os 65 casos em 2026. A enfermeira infectologista Ana Cristina da Rocha ressalta que o vírus pode se manifestar entre dois e oito meses após a exposição, embora em alguns casos o aparecimento dos sintomas possa demorar anos.
“Qualquer pessoa que notar verrugas nas regiões genital, oral ou anal deve buscar atendimento médico”, orientou. O diagnóstico da infecção é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, com os procedimentos variando de acordo com o grau de risco. No CRDT, a avaliação médica é feita com agendamento livre.
“Alguns pacientes podem necessitar de intervenções específicas, como a cauterização”, complementou Ana Cristina.
Queda na cobertura vacinal e desafios a serem enfrentados
Conforme dados do IBGE, houve uma queda de 16 pontos percentuais na cobertura vacinal contra o HPV em 2024. É notável que as meninas tendem a buscar mais a imunização, enquanto muitos meninos continuam sem proteção, aumentando sua vulnerabilidade à infecção.
Esta realidade reforça a importância de campanhas de conscientização e educação sobre a prevenção do HPV, visando aumentar a adesão à vacinação e, consequentemente, reduzir o número de casos diagnosticados no estado.
