Conflito no Oriente Médio eleva custos do agro brasileiro
O Rabobank divulgou recentemente sua nova edição do relatório AgroInfo Q1 2026, que apresenta um panorama detalhado do cenário global e seus reflexos no agronegócio. Entre os principais destaques, observa-se o impacto crescente da guerra no Oriente Médio sobre os custos de produção, logística e mercados internacionais.
O relatório aponta que o agronegócio brasileiro já enfrenta efeitos diretos do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã. A elevação nos preços da ureia e do diesel se destaca como um dos principais reflexos imediatos.
Fertilizantes disparam e preocupam produtores
Os fertilizantes nitrogenados lideram a alta nos preços, com a ureia acumulando uma forte valorização desde o início do conflito. Esse aumento pressiona ainda mais as margens dos produtores, que já enfrentam desafios financeiros. Além disso, o fósforo também começa a apresentar impactos significativos, alcançando níveis elevados no mercado internacional. O Rabobank alerta que a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços, especialmente se a situação de conflito se prolongar.
Diesel mais caro encarece produção e frete
Outro fator crítico identificado é o aumento do diesel, que afeta diretamente os custos logísticos e de produção no campo. Esse cenário já se reflete em culturas como soja e milho, resultando em uma redução do valor recebido pelos produtores, especialmente em um ano com uma safra recorde no Brasil.
Exportações para o Oriente Médio entram no radar
O relatório também destaca que o Oriente Médio representa cerca de 7% das exportações totais do agronegócio brasileiro, mas sua importância é ainda maior em algumas cadeias específicas. As exportações de carne de frango para a região somam 29%, enquanto 20% do milho e 17% do açúcar também têm o Oriente Médio como destino. Com o aumento dos custos de frete e possíveis restrições logísticas, há um risco real de redução na competitividade e redirecionamento dos fluxos comerciais.
Impacto ainda moderado nas commodities agrícolas
Embora os preços de energia e fertilizantes tenham avançado substancialmente, a reação das commodities agrícolas é considerada moderada. Produtos como açúcar e algodão mostram maior sensibilidade devido à sua relação com o petróleo, enquanto outros cultivos permanecem pressionados por fatores de oferta e demanda.
Câmbio e economia global enfrentam incertezas
O cenário geopolítico atual também está ampliando as incertezas econômicas globais. O Rabobank projeta que o câmbio do dólar pode atingir R$ 5,55 até o final de 2026, refletindo tensões internacionais, incertezas fiscais no Brasil e a diminuição do espaço para cortes de juros nos Estados Unidos.
Clima e El Niño como fatores determinantes
Além das questões geopolíticas, o clima continua sendo um fator crucial. Segundo o relatório, há uma possibilidade de formação de um novo El Niño no segundo semestre de 2026, o que pode influenciar a produtividade agrícola no Brasil.
Setor de energia pode trazer alívio parcial
O Rabobank também destaca que biocombustíveis, como etanol e biodiesel, podem proporcionar um alívio parcial diante do aumento dos combustíveis fósseis, principalmente no mercado interno. Essa adaptação pode ajudar a mitigar os impactos sobre o setor agrícola.
Perspectiva de custos mais altos e volatilidade
O principal alerta do Rabobank é que o agronegócio brasileiro enfrentará um período de maior volatilidade e custos elevados. Se o conflito no Oriente Médio se prolongar, o setor pode ter que absorver impactos mais duradouros, tanto na produção quanto nas exportações.
