Mudanças Estratégicas na Amazônia Legal
BRASÍLIA (DF) – A incerteza política que permeia o cenário eleitoral de 2026 levou os governadores da Amazônia Legal a repensarem suas estratégias. Um dos exemplos mais emblemáticos é o do governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), que decidiu renunciar ao cargo nesta sexta-feira, 27, visando a candidatura ao Senado. Essa decisão segue a linha do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), embora a situação de elegibilidade de Denarium ainda não tenha sido definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos nove governadores da região, é importante destacar que quatro já optaram por não renunciar, um buscará a reeleição e quatro estão se preparando para deixar seus postos em busca de uma vaga no Senado. O prazo final para desincompatibilização está previsto para o dia 4 de abril.
O único governador que optou pela reeleição este ano é Clécio Luís (União Brasil), do Amapá, que não necessita se desincompatibilizar do cargo. Clécio enfrenta uma concorrência acirrada com o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto. Vale lembrar que Furlan renunciou ao seu cargo após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), relacionada à Operação Paroxismo, que investiga corrupção na Prefeitura de Macapá.
Desistências e Manutenção de Cargos
Dentre os governadores que decidiram permanecer em seus cargos, algumas decisões se destacam. O governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), anunciou sua desistência em renunciar no dia 2 de março, alegando a necessidade de “cumprir a responsabilidade com a continuidade de seu projeto de governo”. No entanto, há expectativa de que Lima possa mudar suas estratégias políticas em breve, especialmente considerando a candidatura do vice, Tadeu de Souza (PP), ao Executivo.
Outra desistência significativa foi a do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), que evitou renunciar após um desentendimento político com seu vice, Felipe Camarão (PT). Caso Brandão tivesse renunciado, Camarão assumiria a governança com o poder da estrutura pública, o que poderia facilitar sua reeleição, situação que Brandão está tentando evitar. Esse desentendimento criou tensões no cenário político do estado.
O governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (PSD), também decidiu não renunciar, optando por evitar que seu vice, Sérgio Gonçalves (União Brasil), assumisse o governo após um rompimento político entre eles. O governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), que já foi afastado pela Justiça por questões relacionadas a operações da Polícia Federal, permanecerá no cargo apoiando a candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil) ao governo, evitando que sua vice, Laurez Moreira (PSD), assuma o controle durante o período eleitoral.
Concorrentes ao Senado
Entre os governadores que optarão por deixar seus cargos em busca de uma vaga no Senado, destacam-se os governadores do Acre, Pará e Mato Grosso. O primeiro a renunciar foi Gladson Cameli (PP), do Acre, na última terça-feira, 24, com a vice-governadora Mailza Assis (PP) assumindo o cargo e buscando sua reeleição.
Antonio Denarium (RR) já confirmou sua renúncia programada para hoje, 27, e será substituído pelo vice, Edilson Damião, até que o TSE se manifeste sobre a situação de ambos. No Pará, Helder Barbalho (MDB) ainda não definiu a data da sua renúncia para se candidatar ao Senado, mas deve fazê-lo até o dia 4 de abril, com Hana Ghassan (MDB) assumindo em seu lugar e tentando a reeleição.
Mauro Mendes (União), do Mato Grosso, anunciou sua renúncia para o dia 31, quando seu vice, Otaviano Pivetta (Republicanos), assumirá a governança. Mendes já expressou apoio a Pivetta como seu candidato para dar continuidade a sua administração.
A Situação de Denarium
Antonio Denarium tem um histórico complicado, tendo sido condenado quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. Sua reeleição para governador foi cercada de polêmicas, e tanto ele quanto seu vice, Edilson Damião, enfrentaram a cassação de seus mandatos em agosto de 2023. Enquanto Damião pode concorrer à reeleição, Denarium enfrenta inelegibilidade, aguardando decisões do TSE sobre seus recursos legais.
O julgamento do caso de Denarium encontra-se em andamento, com quatro recursos tramitando na Corte Superior em Brasília. No entanto, o processo referente à sua primeira condenação, iniciado em 2023, não foi concluído até a última quinta-feira, 26. A renúncia de Denarium está prevista para ocorrer às 19h, na Esplanada do Palácio Senador Hélio Campos, em Boa Vista.
Embora os casos de Denarium e Cláudio Castro tenham semelhanças, o processo de Castro avançou mais rapidamente e já foi decidido. A decisão do TSE resultou na inelegibilidade de Castro por oito anos, enquanto a situação de Denarium permanece indefinida. Caso o TSE decida pela cassação, a possibilidade de uma eleição indireta pode surgir em Roraima, assim como no Rio de Janeiro, onde a vaga do vice será ocupada pelo atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado.
