Crescimento nos Investimentos em Segurança em Goiás
O estado de Goiás tem demonstrado um crescimento marcante de 11,3% nos investimentos voltados à segurança pública. Este aumento reflete uma política de segurança pública que prioriza o policiamento ostensivo e a aquisição de equipamentos e armamentos. Em um contexto onde os gastos na área de segurança estão superando os investimentos em educação e saúde, essa tendência se destaca em 18 Estados brasileiros, conforme dados do Tesouro Nacional.
Entre janeiro e outubro de 2025, Goiás se posiciona entre os dez estados que mais elevaram os seus gastos em segurança. O cenário é alarmante quando observamos que, em determinados estados como Alagoas, Amapá, Bahia e Ceará, a segurança pública tem absorvido uma parte considerável dos recursos que poderiam ser destinados a outras áreas essenciais, como saúde e educação.
O Rio de Janeiro lidera essa lista com um aumento expressivo de 20,9%, seguido pelo Rio Grande do Sul com 18,1%, e outros estados como Alagoas (18%), Amapá (17,4%), Mato Grosso do Sul (13,8%), Rondônia (13,6%), Piauí (12,2%) e Paraná (12%). Esses dados indicam uma crescente preocupação dos governos estaduais com a segurança, em um cenário em que a criminalidade se mostra um desafio constante.
Gastos com Segurança Superam Educação e Saúde em Alguns Estados
Em quatro estados brasileiros, os gastos com segurança superam a soma dos investimentos em saúde e educação: Amapá, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima. Além disso, em estados como Paraná e Roraima, os gastos com segurança são superiores aos que são realizados na área da educação. Esse quadro levanta questionamentos sobre a priorização de recursos públicos e os impactos nas demais áreas sociais.
No total dos 26 estados e do Distrito Federal, o investimento em segurança apresentou um crescimento de 4,8%, considerando a inflação, enquanto os investimentos em educação avançaram apenas 1,5%, e os da saúde, 4,1%. Assim, a segurança se torna uma das maiores preocupações dos gestores públicos, refletindo, de certa forma, uma resposta à sensação de insegurança que permeia a população.
O Impacto da Política de Segurança
Especialistas ressaltam que o aumento dos gastos em segurança está atrelado a uma política pública que adota uma postura mais repressiva. Essa abordagem, focada no policiamento ostensivo, não apenas implica em mais recursos financeiros, mas também gera um aumento no registro de crimes, criando um ciclo que demanda ainda mais policiamento e recursos. Essa lógica, segundo os especialistas, pode não ser uma solução efetiva para os problemas de segurança, mas sim uma resposta imediata a um contexto de violência crescente.
O governador Ronaldo Caiado, ao comentar sobre a proposta de Emenda Constitucional (PEC) voltada à segurança pública, destacou a expectativa de que a medida pudesse solucionar os principais desafios enfrentados no combate ao crime organizado. “A gente esperava que a PEC resolvesse os principais desafios do crime organizado”, afirmou Caiado, ao criticar o texto da proposta. Em declarações recentes, o governador chegou a afirmar que “o programa social mais importante hoje é o combate ao crime”, enfatizando a relevância da segurança pública em seu governo e a necessidade de um enfoque mais eficaz na questão.
A situação levanta uma reflexão sobre como o Brasil poderá equilibrar a necessidade de investir em segurança com o cumprimento dos direitos sociais e a promoção de políticas públicas que atendam à saúde e educação de sua população. Com o cenário atual, a responsabilidade dos governantes é ainda maior, exigindo um olhar atento para as reais necessidades dos cidadãos.
