Uma Análise da Gestão Alcolumbre 2.0
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, encerrou o primeiro ano de seu segundo mandato em 2025 com uma relação delicada com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ao mesmo tempo, consolidou sua base e fortaleceu suas posições. Alcolumbre foi eleito com um apoio quase unânime da Casa, obtendo 73 dos 81 votos, a terceira maior votação da história do Senado, após ser indicado por seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O senador amapaense se comprometeu a manter a governabilidade ao Planalto, ao mesmo tempo em que prometeu à oposição, principalmente os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não vetar temas consensuais, incluindo a polêmica anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. Com um estilo conciliador e brincalhão, Alcolumbre conduziu cerca de 80 sessões deliberativas ao longo do ano, assegurando resultados favoráveis em votações, mesmo em questões complexas, como a alteração na Lei da Ficha Limpa e o aumento do número de deputados.
“Tivemos que ter muita serenidade este ano no Senado para equilibrar uma agenda repleta de embates entre os poderes e garantir a continuidade de pautas que realmente interessam ao povo, como a agenda econômica”, afirmou Efraim Filho, líder do União Brasil. As vitórias no Senado refletiram um fortalecimento do Legislativo, evidenciado pela aprovação da Lei do Licenciamento Ambiental, que gerou controvérsias tanto no governo quanto entre ambientalistas.
Vitórias Significativas
Alcolumbre conquistou vitórias consideráveis que reafirmaram a posição do Senado. Uma dessas conquistas foi a revogação de um decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), um aumento que não ocorria desde 1992. O líder do Senado também atuou como principal fiador na tramitação do projeto de lei da Dosimetria, que visava reduzir penas e facilitar a progressão de regime para condenados envolvidos nos eventos de janeiro.
Davi Alcolumbre, que tem uma longa trajetória política, começou sua carreira como vereador em Macapá em 2001, passando por três mandatos como deputado federal antes de ser eleito senador em 2014. Em 2019, ele foi escolhido presidente do Senado, sendo o primeiro judeu a ocupar essa posição. Tentou buscar um segundo mandato, mas essa tentativa foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal.
Relação Tensa com Lula
Inicialmente, a relação entre Alcolumbre e Lula foi positiva, com o senador colaborando em viagens oficiais e na aprovação de importantes medidas, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. No entanto, a situação mudou quando o presidente decidiu nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, sem consultar Alcolumbre, o que gerou descontentamento e um afastamento nas relações. Aliados de Alcolumbre indicaram que o senador se sentiu desmerecido pela decisão de Lula, e a situação se agravou quando Messias enfrentou resistência no Senado.
Desafios e Pressões
Apesar de um início promissor, Alcolumbre teve sua autoridade testada por protestos de aliados de Bolsonaro que ocuparam o plenário do Senado, exigindo a anistia para os presos do 8 de janeiro. Ele criticou as ações como “alheias aos princípios democráticos”, mas não cedeu às pressões para levar adiante pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Sua gestão foi marcada pela capacidade de equilibrar os interesses divergentes entre o governo e a oposição, mas as tensões persistem.
No final de 2025, os números do Senado revelaram um ano produtivo, com 425 matérias analisadas, sendo 337 aprovadas, o que demonstra uma atividade legislativa intensa. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, iniciaram seus mandatos com uma colaboração que, no entanto, foi se desgastando ao longo do tempo, especialmente após divergências em pautas importantes como a PEC da Blindagem.
Em um cenário de dificuldades, Alcolumbre destacou-se como defensor das emendas parlamentares, criticando as tentativas de criminalização do uso dessas emendas e ressaltando a importância do Legislativo na condução do orçamento. Ele se posicionou contra a ofensiva do ministro Flávio Dino, que buscava investigar o chamado Orçamento Secreto, defendendo a autonomia do Congresso.
Expectativas para o Futuro
À medida que se aproxima 2026, a relação entre Alcolumbre e Lula permanece incerta. Alguns aliados acreditam que um ambiente mais ameno poderá surgir, mas outros temem que as tensões recentes deixarão marcas a longo prazo. O cenário político continua a evoluir, e a habilidade de Alcolumbre em navegar por esses desafios será crucial para o futuro do Senado e suas interações com o governo federal.
