Ópera: a Linguagem Universal que Une Civilizações
“Certa vez, eu pesquisei sobre o capitão da seleção brasileira de 1958, Hilderaldo Bellini, esperando descobrir um laço familiar com o compositor Vincenzo, de Catania”, comentou o torcedor da Inter, para logo perceber que as raízes do zagueiro eram do Vêneto. Essa curiosidade é apenas uma das muitas que o diretor-geral do Teatro Scala de Milão, Fortunato Ortombina, compartilha sobre sua trajetória e sua visão a respeito da ópera.
Com um mandato no Teatro La Fenice, em Veneza, de 2017 a 2024, Ortombina se tornou, em 2025, o primeiro diretor italiano da icônica casa lírica de Milão após uma sequência de três diretores estrangeiros. O Scala, uma peça central na vida cultural e política de Milão, é gerido por um conselho que inclui o prefeito, representantes do Ministério da Cultura, da Câmara de Comércio e patrocinadores. A abertura da temporada, que coincide com um feriado local, é tratada com a pompa de um evento de Estado, destacando a importância do teatro na cidade. Datas como a Semana de Moda, o Salão do Automóvel, e a recente celebração dos 150 anos do jornal “Corriere della Sera” não fazem mais do que ressaltar o papel protagonista do Scala.
O Scala também anunciou sua programação para 2026/27, que inclui a obra “Otello”, de Verdi, com o sul-coreano Myung-whun Chung como regente titular, e para 2027/28, “Um Baile de Máscaras”, também de Verdi, sob a direção do cineasta Luca Guadagnino, conhecido por seu filme “Me Chame Pelo Seu Nome”. Embora Ortombina não tenha prometido reencenar as obras do compositor brasileiro Carlos Gomes (1836-1896), demonstrou interesse em apresentar “Salvador Rosa”, uma de suas peças, no Municipal do Rio, em 14 de julho.
Quando questionado sobre como foi assumir o legado do “Anel do Nibelungo”, celebrando 100 anos da primeira apresentação desse ciclo no Scala, Ortombina destacou: “Programar é a parte fácil; o difícil é fazer tudo acontecer. Com uma equipe de 900 colaboradores, é preciso trabalhar diariamente para garantir que todos tenham as condições necessárias para o sucesso. A gestão é uma arte que envolve diálogos e conexões, tanto dentro quanto fora do teatro. O Scala depende da cidade, assim como a cidade depende do Scala.”
No que diz respeito ao diálogo entre o teatro e a cidade, ele acrescentou: “Nunca devemos desistir de tentar. Tenho pessoas na cidade que, se não ouço por mais de um mês, começo a me preocupar. Não é possível agradar a todos. Trabalhei em vários lugares, mas posso afirmar que o Scala e Milão são onde me sinto mais conectado, pois já fui diretor artístico aqui há vinte anos. Muitos dos meus conhecimentos sobre Verdi como musicólogo estão interligados com o Scala, tornando-o uma extensão de minha própria trajetória.”
