O cenário político se afunila com as pré-candidaturas
Com as movimentações em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o cenário político do Rio de Janeiro se torna cada vez mais complexo. Em um contexto onde o embate entre a esquerda e a direita continua a esquentar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também ganhou destaque recentemente ao compartilhar momentos de férias no Rio, em uma tentativa de humanizar sua imagem e quebrar preconceitos.
A repercussão de figuras como Lula e Flávio Bolsonaro tem reverberado dentro do Supremo Tribunal Federal, onde Gilmar Mendes se posicionou em defesa de Lewandowski, após ataques direcionados ao ex-ministro da Justiça. Essa dinâmica evidencia a interconexão entre os poderes e a relevância das alianças políticas em tempos de crise.
Entre os possíveis candidatos ao governo do estado, Flávio Bolsonaro aponta como favorito o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi. No entanto, um nome que tem ganhado força entre os setores políticos é o do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL). Este jovem deputado de 36 anos, que é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, possui uma pasta com vasta capilaridade e pode ser uma escolha estratégica.
Contudo, aliados de Ruas avaliam que sua candidatura pode resultar em perdas significativas, como a perda de um novo mandato. Com a popularidade do atual prefeito Eduardo Paes (PSD), o deputado deve ponderar suas opções, pois mira a presidência da Alerj no próximo biênio. Portanto, entrar na corrida pelo governo pode não ser a jogada mais acertada.
Desafios e oportunidades para a direita
Outras opções como Curi ou até mesmo um candidato outsider podem aceitar o desafio, mas não têm conseguido mobilizar o Centrão, um grupo essencial que pode ser determinante nas eleições estaduais. Enquanto isso, o governador Castro planeja sua candidatura ao Senado e precisa se desincompatibilizar do cargo até o início de abril, conforme exigências da Justiça. Isso implica que o grupo à sua volta deve pensar em outra eleição: a escolha indireta na Alerj de um novo comando para o estado, que será temporário até o fim do ano.
O vice-governador eleito em 2022, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado (TCE), criando um espaço que precisa ser preenchido rapidamente. O nome que aparece como candidato mais avançado para essa eleição indireta é Nicola Miccione, atual secretário da Casa Civil. Seu perfil técnico e a falta de experiência em campanhas eleitorais fazem dele uma escolha vista como ideal para enfrentar os desafios de um mandato-tampão.
O governo do Rio enfrenta um déficit alarmante de R$ 19 bilhões, com previsão para 2026. Isso exigirá cortes de despesas e a implementação de políticas impopulares, o que torna crucial a escolha de um líder que não deseje entrar em uma campanha para a reeleição em outubro.
Por outro lado, alguns setores defendem que o candidato para o mandato temporário possa ser o mesmo para a eleição direta, utilizando a máquina pública para fortalecer sua campanha. A escolha de Miccione, segundo aliados, é resultado de um acordo benéfico entre Castro e Paes, já que ele é um nome de confiança do governador e seria uma maneira de evitar um adversário forte nas eleições de outubro.
Pressões e rearranjos na política fluminense
Recentemente, a reestruturação da direita e do Centrão foi impulsionada pela insatisfação de alguns líderes com Paes. Muitos argumentam que o prefeito tem encontrado dificuldades em alocar espaços importantes na administração para outros grupos. Por outro lado, há quem acredite que as exigências excessivas dos partidos são prematuras e que os novos acordos têm como finalidade pressionar Paes a ceder mais na composição da chapa e no governo.
A Saúde é uma pasta crucial que sempre foi dominada pelo PP, mas é improvável que Paes abra mão de um controle rígido sobre essa área vital. Isso também se aplica à Educação e, principalmente, às secretarias que enfrentam os desafios mais urgentes, como Segurança Pública e Fazenda. Para aliados do prefeito, não faria sentido ganhar a eleição mantendo um arranjo que não altera a estrutura do governo vigente.
Nos bastidores, Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu e membro do PP, é considerado o vice ideal para a chapa de Douglas Ruas, segundo tanto Paes quanto a ala da direita que busca alternativas. Recentemente, a possibilidade de Lisboa integrar a coligação tem ganhado força, embora o prefeito da capital continue otimista quanto a esse cenário, apesar de certas tensões que surgiram nas redes sociais envolvendo o pai de Wladimir Garotinho, ex-governador do estado.
