Uma Grande Homenagem à Rainha das Águas em Santana
MANAUS (AM) – No último sábado, dia 7, religiosos vestidos em branco e azul se reuniram às margens do Rio Matapi, na cidade de Santana, para um ato coletivo repleto de fé e devoção. A celebração fez parte da 20ª edição do Festival de Iemanjá – Tributo à Grande Mãe, que teve início em 2 de fevereiro em Macapá. Neste evento, danças e cantos ecoaram em homenagem a Iemanjá, a orixá reverenciada como a “Rainha das Águas”.
O festival é promovido com o apoio do Governo do Estado e em parceria com a Federação dos Cultos Afro-Religiosos de Umbanda e Mina Nagô do Amapá (Fecarumina). Este evento se configura como uma política pública que visa fortalecer as manifestações culturais tradicionais e valorizar a cultura ancestral. Para a zeladora de santo Aldenora de Souza, de 78 anos, da Casa Santa Bárbara Mina Nagô, o festival representa um importante passo em direção ao reconhecimento das tradições afro-brasileiras.
“Participar deste momento de fé e agradecimento é muito gratificante. O festival cresce a cada ano, e para nós, é mais do que uma celebração; é uma forma de ganhar visibilidade”, enfatizou Mãe Aldenora.
Após a abertura oficial, o som dos tambores acompanhou as cantigas em louvor aos orixás Ogum e Iemanjá durante uma grande roda de dança que contou com a presença de 14 casas de matriz africana. Yolete Nunes, presidente da Fecarumina, também expressou sua alegria: “Iemanjá é uma mãe protetora que abençoa a todos nós. Este momento é histórico para nossa comunidade”.
Tradição e Devoção
Seguindo o rito tradicional, ao final da roda de dança, os fiéis apresentaram suas oferendas. Às margens do Rio Matapi, foram lançados barquinhos biodegradáveis, além de frutas, flores naturais e perfumes, simbolizando gratidão e pedidos de proteção.
Josilana Santos, diretora-presidente da Fundação Marabaixo, destacou a relevância do evento: “O Governo do Amapá reconhece a importância social e política das comunidades tradicionais. Este é um dos pilares do plano de gestão do governador Clécio Luís, que visa a valorização por meio de políticas afirmativas. Nossa diversidade religiosa é imensa, e fortalecer essas raízes é essencial para promover paz e respeito.”
Descentralização do Evento
Em 2024, o Festival de Iemanjá ampliou suas fronteiras para incluir sete municípios: Macapá, Santana, Mazagão, Calçoene, Laranjal do Jari, Vitória do Jari e Oiapoque. Essa descentralização proporciona maior acesso e participação popular, permitindo que as tradições afro-religiosas alcancem diferentes comunidades.
Odilon Tateto Lokunbenan ressaltou que a realização do festival em Santana pela primeira vez é uma maneira de combater preconceitos. “Antes, o evento era concentrado em Macapá. Agora, temos a chance de desmistificar nossa religião, mostrando que ela é baseada em acolhimento, amor e paz”, afirmou.
Próximas Atividades do Festival
A programação do festival continua neste domingo, dia 8, no município de Laranjal do Jari, e prossegue em Vitória do Jari, Calçoene e Oiapoque. A expectativa é que, até o final das celebrações, aproximadamente 141 casas afro-religiosas estejam envolvidas em todo o Estado, refletindo a força e a união das tradições africanas no Brasil.
