Setor de Exportação em Crescimento
O começo de 2026 trouxe um panorama promissor para o setor de exportação de madeira do Pará. Em janeiro, os valores das exportações dobraram em comparação ao mesmo período do ano anterior, impulsionados por uma combinação de fatores externos, como a recuperação econômica de mercados internacionais, e fatores internos, que envolvem a qualidade e o perfil dos produtos oferecidos.
Guilherme dos Santos Carvalho, engenheiro florestal e agrônomo, atua como consultor para a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex). Ele destaca que o crescimento significativo nas exportações está associado diretamente à recuperação do mercado internacional, que vinha enfrentando instabilidades recentes. “Os grandes consumidores de madeira incluem a construção civil, obras de infraestrutura e a indústria moveleira. Cada um desses setores apresenta comportamentos distintos”, explica.
Segundo Carvalho, a pandemia, a inflação global e conflitos geopolíticos impactaram o setor nos últimos anos, levando a medidas comerciais que afetaram as vendas, especialmente para o mercado norte-americano. “No geral, o setor de exportação de madeira do Pará começou 2025 com resultados negativos, mas desde setembro, a recuperação se consolidou, impulsionada pela melhor controle da inflação, principalmente nos Estados Unidos e na União Europeia. Esse movimento parece continuar no início de 2026”, acrescenta.
Valorização do Produto
Embora o volume de madeira exportada tenha crescido modestamente, o aumento do valor exportado foi significativo, indicando uma valorização dos produtos. “O expressivo crescimento registrado em janeiro de 2026 é resultado do aumento do preço médio dos produtos exportados, consequência do aquecimento da economia e da maior procura internacional, além de baixos estoques nos países importadores”, destaca Carvalho.
Entre os produtos, a madeira perfilada se destacou, apresentando um incremento de 271% nas vendas. “A madeira perfilada, que já está pronta para o uso final, é um dos principais produtos de madeira com maior valor agregado exportados pelo Pará”, afirma Carvalho. No entanto, ele também observa que outros produtos, como o MDF, estão enfrentando um cenário de retração em 2026. “A exportação de MDF está em baixa devido à incerteza gerada pela recente tarifação americana, que levou ao cancelamento de contratos e pedidos”, pondera.
A expansão das compras pelos Estados Unidos é atribuída à melhoria nas condições econômicas do país. “Com a inflação em queda, o Federal Reserve começou a cortar as taxas de juros em 2025, o que favoreceu o setor de construção de novas residências, um dos maiores consumidores de madeira”, explica Carvalho.
Perspectivas na Europa
No continente europeu, o cenário também é favorável para o setor. “As previsões de crescimento da economia europeia para 2025 se concretizaram, levando alguns países a aumentar as importações de madeira do Pará”, comenta, embora ressalte que incertezas globais permanecem.
Em relação aos polos exportadores, Carvalho enfatiza a importância da qualidade e da rastreabilidade dos produtos. “A principal característica que distingue nossa madeira é a alta qualidade, assim como a capacidade de monitorar a cadeia de custódia”, afirma. Ele também alerta sobre a queda nas exportações de madeira em bruto, que segue uma lógica estrutural, uma vez que o Brasil proibiu essa prática desde 1989, priorizando a industrialização local.
Além disso, Carvalho menciona os desafios ambientais que o setor enfrenta. “Estamos cientes das exigências impostas pelo Regulamento do Desmatamento da União Europeia”, informa, destacando que, apesar das dificuldades, o Brasil consegue competir equitativamente. No entanto, ele expressa preocupação quanto à possibilidade de que a alta no preço do petróleo possa acarretar uma desaceleração na economia mundial.
Impacto Econômico e Futuro Promissor
O economista Nélio Bordalo Filho, do Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá (Corecon PA/AP), destaca a relevância do setor madeireiro na economia paraense. “O início de 2026 confirma que a atividade madeireira continua sendo fundamental para a economia do Pará, especialmente no comércio exterior”, afirma.
Bordalo salienta que, em 2025, as exportações chegaram a aproximadamente US$ 231 milhões, refletindo uma alta de 10,9%. “Esse resultado demonstra que a madeira continua sendo uma das principais fontes de geração de divisas para a indústria paraense”, diz. Ele também menciona o impacto social da atividade madeireira, que, ao contrário de outras cadeias mais concentradas em matérias-primas minerais, tem forte presença em áreas interioranas, gerando emprego direto e movimentando setores como transporte e pequenas indústrias de beneficiamento.
As expectativas para 2026 são otimistas. “O crescimento das exportações em 2025 indica que a indústria madeireira paraense está pronta para reagir positivamente à melhora do mercado externo, sinalizando um ano promissor para o setor”, conclui.
