Crescimento nas Exportações de Açúcar
No início de 2026, o Brasil experimentou um aumento notável nas exportações de açúcar e melaços. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), através da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), indicam que o volume médio diário embarcado nas quatro primeiras semanas de janeiro cresceu 15,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A média diária de açúcar exportada elevou-se de 93,7 mil toneladas em janeiro de 2025 para 108,6 mil toneladas neste começo de 2026. Ao todo, o país já enviou 1,73 milhão de toneladas, um número que está próximo do total registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram exportadas 2,06 milhões de toneladas em 22 dias úteis.
Retração na Receita Apesar do Aumento dos Embarques
Embora o volume exportado tenha crescido, a receita gerada com as vendas externas de açúcar apresentou uma queda significativa. A receita média diária passou de US$ 45,44 milhões em janeiro de 2025 para US$ 39,41 milhões no início de 2026, representando uma diminuição de 13,3%.
No acumulado parcial do mês, as exportações de açúcar e melaços totalizaram US$ 630,5 milhões, uma queda em relação aos US$ 999,7 milhões registrados no mês de janeiro do ano passado. Esses números revelam que, mesmo com um ritmo acelerado de escoamento dos produtos, o setor enfrenta desafios em termos de rentabilidade.
Desvalorização do Açúcar Impacta Ganhos
A principal explicação para a redução na receita é a desvalorização do açúcar no mercado internacional. O preço médio da tonelada exportada caiu 25,1%, passando de US$ 484,80 em janeiro de 2025 para US$ 362,90 no mesmo período de 2026.
Esse cenário é resultado de uma oferta excessiva no mercado global, que, somada à pressão nas cotações internacionais, tem comprimido as margens de lucro dos exportadores brasileiros, mesmo em um contexto de bom desempenho logístico e demanda externa robusta.
Perspectivas para o Setor Açucareiro
Especialistas do setor consideram que o aumento no volume exportado demonstra a competitividade do açúcar brasileiro, mas alertam que a tendência de preços baixos deve continuar a impactar os resultados financeiros no curto prazo. A expectativa é de que as cotações internacionais se estabilizem ao longo do primeiro semestre de 2026, à medida que ocorrerem ajustes no balanço entre oferta e demanda global.
