Boas Práticas de Fabricação: Protegendo o Açaí da Contaminação
A qualidade do açaí, um dos produtos mais tradicionais da Amazônia, está em evidência devido a um novo estudo da Embrapa. A pesquisa confirma que o consumo seguro do açaí está garantido por meio de um protocolo de Boas Práticas de Fabricação (BPF). De acordo com a Embrapa, esse conjunto de diretrizes visa assegurar que o açaí chegue ao consumidor livre de contaminantes, incluindo o agente causador da Doença de Chagas.
A Embrapa Amapá desenvolveu uma cartilha que orienta pequenas agroindústrias e batedeiras sobre as melhores práticas na produção de açaí. Esse guia é crucial, especialmente em uma região onde a contaminação é uma preocupação crescente.
Processo de Produção que Garante Segurança
O processo para assegurar a qualidade do açaí começa desde a colheita. A seleção e limpeza dos frutos são etapas fundamentais, onde se removem sujeiras, folhas, galhos e até insetos, como o barbeiro, que são vetores da doença. Em seguida, os frutos passam por uma lavagem cuidadosa em várias etapas, utilizando água potável para eliminar quaisquer impurezas.
Após a lavagem, os frutos são desinfetados por meio de imersão em uma solução de hipoclorito, eficaz na eliminação de bactérias, como a Salmonella. O próximo passo é o choque térmico, que consiste em submeter os frutos a uma rápida imersão em água quente por um curto período, seguido de um mergulho em água fria. Esse processo é essencial, pois é a única maneira de inativar o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da Doença de Chagas.
Importância da Higiene e Saúde do Manipulador
Além do tratamento adequado dos frutos, a higiene do ambiente e a saúde dos manipuladores são cruciais para garantir a segurança do açaí. Utensílios de inox devem ser utilizados, e uma rigorosa limpeza deve ser feita antes e após o uso. O manipulador deve estar uniformizado, usando fardamento apropriado, touca e botas, e deve seguir rigorosos procedimentos de higiene das mãos.
Quando todas essas etapas são seguidas corretamente, o açaí que chega ao consumidor não só mantém a qualidade e o sabor, mas também está livre de riscos de contaminação.
Desafios e Soluções no Acesso ao Açaí Seguro
A pesquisadora Valéria Saldanha Bezerra, da Embrapa Amapá, enfatizou que muitos consumidores tradicionais da região ainda não aceitam o açaí pasteurizado, o que requer cuidados adicionais na sua produção. Para minimizar esses riscos, a cartilha de Boas Práticas de Fabricação estabelece uma série de etapas que incluem a seleção, a limpeza, a lavagem, a desinfecção e o choque térmico dos frutos.
Valéria também ressaltou que, segundo testes sensoriais realizados com mais de 300 pessoas, o processo de choque térmico não afeta o sabor, a cor ou o aroma do açaí. Além disso, essa técnica contribui para aumentar a vida útil do produto, que pode ser armazenado na geladeira por até quatro dias.
Desenvolvimento Sustentável e Qualidade do Açaí
A cartilha desenvolvida pela Embrapa fornece orientações detalhadas sobre cada etapa das boas práticas, ajudando os batedores a reproduzir o processo de forma correta. O material abrange desde comportamentos dentro da batedeira até cuidados com a vestimenta, qualidade da água utilizada e a localização do espaço de produção.
Infelizmente, muitas processadoras ainda comercializam açaí com qualidade inferior ou até mesmo descartam o produto. A adoção de práticas de conservação, como o congelamento, possibilitou que a oferta do açaí fosse ampliada mesmo fora da safra.
Com a implementação das Boas Práticas de Fabricação, as batedeiras podem oferecer um produto de qualidade superior, nutritivo e seguro. Espera-se que os produtores sigam as orientações da cartilha, garantindo que os consumidores tenham acesso a um açaí seguro tanto no Amapá quanto no Pará.
