Uma Celebração da Cultura Popular e da Resistência
No domingo de carnaval, a Estação Primeira de Mangueira cruzou a Marquês de Sapucaí reafirmando sua rica identidade histórica e musical. Com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, a escola de samba traz à tona temas fundamentais como memória, resistência e cultura popular. A verde e rosa apresenta uma narrativa que conecta passado e presente, sustentada por um projeto visual arrojado e um samba que rapidamente conquistou o coração da comunidade.
O enredo, criado pelo talentoso carnavalesco Sidney França, presta homenagem a Raimundo dos Santos Souza, conhecido como Mestre Sacaca, uma figura emblemática originária do Amapá. Sacaca, curandeiro e pesquisador da medicina popular, é um profundo conhecedor das ervas e dos saberes tradicionais da Amazônia. Sua trajetória se destaca como uma referência cultural em Macapá, ao unir ciência, religiosidade e tradição oral. A história de Mestre Sacaca simboliza a resistência dos saberes afro-indígenas e a valorização da cultura amazônica negra, elementos centrais da proposta da Mangueira para este carnaval. “O nosso desfile nasce da escuta da comunidade e da vontade de contar uma história que faça sentido hoje. A Mangueira tem compromisso com sua gente e com o país. É um enredo que emociona, mas também provoca”, declarou o carnavalesco.
A presidente da escola, Guanayra Firmino, também enfatizou o papel fundamental da Mangueira na construção da cultura do samba: “A Mangueira tem uma responsabilidade histórica. Somos uma escola que ajudou a moldar a cultura do samba e da música brasileira. Entramos na Avenida com respeito à nossa tradição e confiança no trabalho que foi realizado”.
Não se pode falar de Mangueira sem mencionar sua bateria, reconhecida como uma das mais características do carnaval carioca. A batida mangueirense, com sua cadência própria e divisão rítmica que acentua o tempo de maneira singular, cria uma pulsação inconfundível desde os primeiros acordes. A batida sustenta o samba com firmeza, valorizando o canto da comunidade e conferindo uma identidade sonora marcante ao desfile.
Quando se discute a história do samba, é impossível não mencionar a Estação Primeira de Mangueira, que revelou e acolheu grandes nomes da música popular brasileira. Artistas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Jamelão e Tantinho foram fundamentais na formação da identidade cultural do país. Essa herança artística não é mera memória; ela se revela a cada desfile, a cada samba entoado na quadra e na Avenida.
Com esta combinação de tradição e contemporaneidade, a Mangueira aposta na força de sua comunidade, na solidez do projeto artístico e na intensidade de seu canto para criar um desfile que dialogue com sua rica história, ao mesmo tempo em que projeta novos capítulos para a verde e rosa.
