Reflexões de um Cronista Nortista
Meu nome é Elton Tavares, um jornalista e escritor que não esconde suas origens. Com uma pitada de ironia me autodenomino o preto mais boçal da imprensa e o gordo mais brigão da literatura. Estou aqui para expressar ideias, preservar memórias e, claro, para garantir meu sustento através das palavras. Afinal, a escrita é o meu meio de vida e, de fato, o que me move.
Sou um cronista do Norte, alguém que não hesita em usar o peso das palavras. Escrevo com a determinação de quem rema contra a correnteza às vezes, mas que sempre tem um destino em mente. A minha escrita reflete uma teimosia elegante, pois, creio, ainda vale a pena falar, mesmo quando a sociedade parece ter desaprendido a escutar.
Reconheço que, em certos momentos, meu estilo pode ser um incômodo. No entanto, acredito que todo jornalista ou escritor que se preze acaba gerando desconforto em algum ponto. Faço barulho, mas é muito mais satisfatório quando minhas palavras reverberam, causando eco.
A Verdade e a Autenticidade nas Palavras
Como jornalista, valorizo a sujeira honesta por trás dos fatos e a contradição que a verdade pode gerar. Prefiro desafiar a mentira sincera que, francamente, não me interessa. Meu foco está em contar histórias que celebram a cultura, mas também em abordar questões de forma crítica. Meu lugar de fala é o Norte, que não se resume a uma localização geográfica, mas sim a uma temperatura emocional.
Estou ciente do poder que as palavras possuem e suas consequências. Já fui processado várias vezes devido ao que escrevi, mas nunca perdi uma única ação. Acredito que a escrita é um compromisso com o leitor, que tem o direito de conhecer a verdade.
Com orgulho, sei que estou sempre presente, embora de forma provocativa, na garganta de muitos; muitos deles, figuras desprezíveis que, com todo respeito, não merecem meu apreço.
A Coragem de Ser Autêntico
Como escritor, não me preocupo em agradar. Não peço desculpas e não adoço minhas palavras a não ser que se trate de um texto para um aniversário de alguém especial. Meu objetivo é escrever com intensidade, não para confortar, mas para chacoalhar e lembrar a todos que existe vida além do eixo central, que essa vida também pensa, observa e responde. Escrevo como quem não busca perdão, e talvez isso seja a razão de minhas palavras encontrarem leitores.
Minhas crônicas são, em sua maioria, autobiográficas, sempre enraizadas nas minhas origens, nas pessoas e nas memórias. Escrevo para aqueles que lutam, que perdem, mas também para os que ganham. Minha escrita é marcada por uma insistência e uma certa impaciência em relação à hipocrisia que se disfarça de civilidade.
O Preço da Autenticidade
Recuso-me a suavizar o que é áspero. Meu compromisso é com a originalidade. E ser autêntico tem um custo, um preço que estou sempre disposto a pagar. Porque vejo as palavras como raízes que sustentam, e não como elementos que servem apenas para se exibir. Não escrevo para ser aceito; escrevo porque é uma necessidade intrínseca. Seja para reportar uma notícia ou contar uma história, é nesse espaço que encontro meu propósito. E é isso!
