Importância do Açaí na Economia do Marajó
Considerado um alimento essencial da população paraense e um símbolo da Amazônia, o açaí tem se consolidado como um dos principais motores de desenvolvimento sustentável na região Norte do Brasil. Um estudo conduzido pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), intitulado “O Contexto econômico e ambiental”, destacou que Anajás e Bagre estão entre os dez municípios com maior produção do fruto no país.
Atualmente, o estado do Pará é responsável por impressionantes 89,5% da produção nacional de açaí, seguido por Amazonas, com 7,2%, e Amapá, com 1,3%. Dentro do Pará, dez municípios concentram aproximadamente 60% da produção do Brasil, com Igarapé-Miri liderando com 13,2% e Anajás ficando com 6,2%, enquanto Bagre ocupa a sétima posição com 4,9%.
Além disso, a produção do açaí no Pará teve um crescimento expressivo, passando de R$ 509,7 milhões em 1994 para R$ 8,8 bilhões em 2024, representando 93,8% do valor total gerado no setor a nível nacional. Isso demonstra o impacto significativo que essa cultura tem na economia local e na geração de riqueza.
Implicações para o Mercado de Trabalho e Exportações
A expansão da cadeia produtiva de açaí também traz consequências diretas para o mercado de trabalho. O número de estabelecimentos que produzem o fruto no Pará aumentou de 5,2 mil, em 1986, para mais de 81 mil em 2017, abrangendo desde pequenas propriedades de agricultura familiar até grandes operações do agronegócio. Esse crescimento sustenta cerca de 4.763 postos de trabalho diretos e indiretos, impactando positivamente setores como transporte e comercialização.
No contexto das exportações, o Pará reafirma seu papel de destaque. O valor das exportações de produtos derivados do açaí subiu de US$ 334,2 mil, em 2002, para US$ 127,8 milhões em 2024. O preço médio da tonelada exportada subiu de US$ 1,1 mil para US$ 3,6 mil no mesmo período, evidenciando a crescente valorização do produto no mercado internacional.
Contribuições Ambientais e Sustentabilidade
Além de sua importância econômica, o cultivo do açaí também desempenha um papel vital na preservação ambiental. Entre 2015 e 2024, a área reflorestada com açaí no Pará cresceu de 135 mil para 252 mil hectares, quase duplicando a capacidade do estado de capturar dióxido de carbono (CO2), que atingiu cerca de 907 mil toneladas em 2024.
“Este estudo comprova a liderança do açaí paraense, não apenas a nível nacional, mas também internacional, e revela como essa cultura pode contribuir para o equilíbrio climático ao atuar como um sumidouro de CO2. A expansão das lavouras de açaí gera riquezas e, ao mesmo tempo, preserva a natureza, agora também proporcionando créditos de carbono”, analisa o diretor da Fapespa, Márcio Ponte.
Avanços Tecnológicos e Futuro da Produção
Segundo a Fapespa, a continuidade do sucesso da produção de açaí no Pará está diretamente relacionada ao investimento em ciência e tecnologia. O presidente da fundação, Marcel Botelho, destaca que a responsabilidade tecnológica é essencial para manter a competitividade do estado no mercado global. “Esses dados ressaltam o enorme potencial da cadeia produtiva de açaí. Essa liderança traz a responsabilidade de avançar no nível tecnológico, garantindo uma produção que seja sustentável, economicamente viável e ecologicamente correta”, enfatiza Botelho.
Além disso, a Agência Barco da CAIXA tem se mostrado uma importante aliada, realizando mais de 140 mil atendimentos nos municípios da Ilha do Marajó desde 2014, o que possibilita maior inclusão bancária e cidadania em regiões remotas. A atuação itinerante da Agência Barco é fundamental para levar serviços essenciais a comunidades que enfrentam dificuldades para acessar centros urbanos.
A integração desses esforços, tanto no campo econômico quanto no social, mostra como a produção de açaí se torna um pilar para o desenvolvimento sustentável na Amazônia, contribuindo não apenas para a economia local, mas também para a preservação ambiental e inclusão social.
