Prefeito de Macapá de olho nas eleições de 2026
RECIFE, PE (FOLHAPRESS) – O prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), com o objetivo de se candidatar ao Governo do Amapá nas eleições de outubro. O político formalizou sua saída em um ofício enviado à Câmara Municipal, ressaltando que a decisão está alinhada com a exigência constitucional que obriga o afastamento de candidatos a cargos eletivos até seis meses antes do pleito.
Vale lembrar que, na quarta-feira (4), Dr. Furlan já havia sido afastado do cargo por um período de 60 dias. Essa suspensão decorre de uma investigação acerca de um suposto esquema de fraude em licitações, vinculado a um contrato da Secretaria Municipal de Saúde de Macapá.
Investigação e interações políticas
Durante a ausência de Furlan, a prefeitura foi assumida pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro da Lua (União Brasil). O vice-prefeito, Mario Neto (Podemos), e a secretária municipal de Saúde, Erica Aranha de Sousa Aymoré, também foram alvos da ação da Polícia Federal, que ocorreu sob ordem do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal). As defesas do vice-prefeito e dos demais servidores não foram encontradas para comentar a situação.
No ofício, Dr. Furlan destaca que sua decisão está pautada em um “anseio público” identificado em pesquisas de intenção de voto, que, segundo ele, indicam apoio à sua candidatura ao governo estadual. “Minha decisão está pautada num anseio público, que vem sendo materializado em inúmeras pesquisas”, afirmou.
Conflito político e antigos rivais
Dr. Furlan é visto como um adversário político do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) no estado. Recentemente, o prefeito deixou o MDB para se filiar ao PSD, em busca de fortalecer sua base para a disputa eleitoral. A operação que investiga o prefeito e outros envolvidos incluiu buscas em locais relacionados a eles e à empresa Santa Rita Engenharia.
As suspeitas, conforme a Polícia Federal, giram em torno de um esquema criminoso que envolveria servidores públicos e empresários que manipulavam licitações, desviavam verbas públicas e praticavam lavagem de dinheiro. A investigação se concentra em um projeto de engenharia e na execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá. As ordens de busca foram cumpridas em diversas cidades, incluindo Belém e Natal.
Recursos em jogo e contexto eleitoral
O foco da apuração está em recursos federais, oriundos de emendas parlamentares, que foram transferidos ao município entre 2020 e 2024. Segundo um relatório da Controladoria-Geral da União, Macapá recebeu cerca de R$ 128,9 milhões através dessas transferências, com parte dos recursos destinados à construção do Hospital Geral Municipal.
Nas redes sociais, Dr. Furlan insinuou que sua situação responde a uma perseguição política. Ele se declarou pré-candidato ao governo e comentou sobre “ataques, perseguições e atrasos” que estaria enfrentando.
Um incidente que chamou a atenção ocorreu em agosto do ano passado, quando o prefeito foi filmado aplicando um golpe de mata-leão em um cinegrafista, que estava questionando sobre obras da maternidade também mencionadas nas investigações.
Histórico de investigações e desafios futuros
Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal atua em operações contra Dr. Furlan. Em 2024, ele foi investigado por supostas fraudes na execução da obra de urbanização na orla da cidade, recebendo apoio popular ao alegar ser alvo de perseguição da oposição. Em 2022, uma operação também foi realizada enquanto sua esposa, Rayssa Furlan (Podemos), concorria ao Senado contra Alcolumbre.
Agora, Furlan enfrentará, na corrida para o governo do Amapá, o atual governador Clécio Luís Vieira (União Brasil), que é aliado de Alcolumbre. O prefeito foi reeleito em 2024 com uma impressionante votação de 85% dos votos válidos no primeiro turno, a maior registrada nas capitais naquele ano.
Nascido na Costa Rica, Furlan é filho de brasileiros e naturalizado. Ele é médico de formação e já foi eleito deputado estadual do Amapá em 2014 e 2018, antes de assumir a prefeitura em 2020 ao vencer o irmão de Alcolumbre, Josiel (União Brasil), durante a pandemia da Covid-19.
