Ações Conjuntas para Enfrentar a Doença de Chagas
Em virtude do aumento de internações e óbitos decorrentes da doença de chagas em Macapá, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) convocou uma reunião com representantes da Superintendência de Vigilância Sanitária (SVS-GEA), da Secretaria Municipal de Vigilância em Saúde (SEMVS) e do Sebrae/AP. O encontro, realizado na última quinta-feira (26), teve como objetivo alinhar as estratégias de atuação e estabelecer um protocolo para prevenção da enfermidade.
Os promotores de justiça Wueber Penafort e Fábia Nilci, à frente da 1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (PJDS), respectivamente, solicitaram que cada órgão compartilhasse suas ações já planejadas e em andamento. Foi relatado que, entre os três óbitos registrados, dois estão associados ao consumo de açaí, enquanto o terceiro ainda está sendo investigado. Atualmente, Macapá conta com cerca de sete mil batedeiras de açaí, a maioria operando sem o devido licenciamento.
Medidas Imediatas e Conscientização da População
Renato Coelho, técnico da SEMVS, destacou que o município já tomou medidas relacionadas às batedeiras suspeitas de serem focos de proliferação da doença. Ele informou que os estabelecimentos envolvidos pertencem a uma mesma família, que já foi notificada e recebeu um prazo para instalar equipamento que permita a desinfecção do açaí, utilizando uma técnica de choque térmico que elimina microrganismos, incluindo o causador da doença de chagas.
A superintendente da SVS, Ana Cláudia Pimentel, reforçou que o órgão está à disposição do município. Ela apontou que os casos de contaminação estão concentrados em quatro bairros de Macapá. “Estamos passando por um surto na capital, e precisamos estar unidos para proteger a população”, enfatizou.
O secretário da SMVS, Milton Benny, assegurou que a prefeitura está pronta para colaborar com os demais órgãos na luta contra a doença e destacou a importância deste alinhamento para evitar a desinformação e proteger a saúde da população.
Transparência e Segurança Alimentar
A promotora Fábia Nilci enfatizou a necessidade de que a população esteja ciente sobre quais batedeiras foram notificadas ou interditadas. “Essa medida é crucial para a prevenção, pois os consumidores precisam saber quais estabelecimentos apresentam risco de contaminação e o que estamos fazendo para conter o surto”, declarou.
Wueber Penafort considerou a reunião um marco importante para que os órgãos responsáveis pela fiscalização e execução das ações informassem sobre as medidas que já foram tomadas. Ele também destacou a necessidade de criar um protocolo urgente para enfrentar a situação e alertou sobre os impactos que a crise pode causar na cadeia produtiva do açaí, afetando trabalhadores, empreendedores e consumidores.
Entre as medidas definidas, ficou acertada a realização de uma inspeção técnica emergencial, que será feita de forma conjunta entre os órgãos nas batedeiras suspeitas. Uma nova reunião está agendada para a próxima terça-feira (31), onde os representantes dos órgãos discutirão os próximos passos a serem seguidos.
