Desafios e Avanços na Doação de Órgãos
Com mais de 82 mil brasileiros na fila de espera por transplantes, a realidade do sistema de doação de órgãos no Brasil é complexa e desafiadora. Em 2025, mais de 22 mil procedimentos foram realizados, consolidando o Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos maiores do mundo, responsável por 86% das operações. Entretanto, a recusa familiar continua sendo um obstáculo, com 45% das famílias negando a doação. Essa resistência é reforçada por uma série de mitos e desinformações que permeiam o tema e, consequentemente, impactam a vida de muitos pacientes. O caso de Pollyana Guedes, cuja filha recebeu um transplante de pulmão aos quatro anos, ilustra a urgência de uma comunicação mais clara sobre os benefícios da doação e a importância da solidariedade no processo.
A Desigualdade nas Doações
A desigualdade na doação de órgãos entre as regiões do Brasil é evidente. Enquanto o Sudeste conta com 22,2 doadores efetivos por milhão de habitantes, o Norte enfrenta uma taxa de apenas 6,9 doadores por milhão. Essa discrepância é refletida na cobertura dos procedimentos, onde estados como Amapá e Roraima, por exemplo, ainda não realizam transplantes, dependendo de transferências para outras localidades. Assim, as disparidades regionais não só limitam o acesso a tratamentos, mas também perpetuam a espera angustiante de muitos que dependem de um órgão para viver.
O Impacto da Desinformação
As barreiras à doação de órgãos também são alimentadas pela desinformação. Temores sobre o tráfico de órgãos e interpretações errôneas sobre a morte encefálica contribuem para que muitas famílias se recusem a autorizar doações. Mesmo em áreas onde a taxa de recusa é alta, como no Maranhão, a falta de informação clara e precisa impede que mais vidas sejam salvas. Especialistas defendem a necessidade de um esforço conjunto entre governos e instituições para desmistificar o processo e promover a educação sobre o tema, aumentando assim as chances de aceitação.
Olhar para o Futuro
Iniciativas estão sendo desenvolvidas para melhorar a situação atual. O Ministério da Saúde tem promovido campanhas para incentivar a doação e reestruturar os processos de captação e alocação de órgãos. A implementação de tecnologias, como as máquinas de perfusão, também tem contribuído para otimizar o uso dos órgãos, aumentando a eficácia dos procedimentos. Contudo, ainda há um longo caminho a percorrer, principalmente quando se trata de garantir que informações precisas e educativas cheguem até a população.
Caminhos a Seguir
Apesar dos avanços, a luta contra a recusa familiar deve continuar. O sistema de transplantes, segundo especialistas, não deve ser encarado apenas como um desafio individual, mas como um reflexo das desigualdades sociais que ainda permeiam o Brasil. A implementação de um consentimento presumido, similar ao que existia até os anos 2000, é uma das propostas que voltam à tona, mas que ainda estão em discussão no Congresso. Enquanto isso, a conscientização sobre a doação deve ser intensificada, e as famílias são incentivadas a conversar sobre esse tema vital.
