Inovações Tecnológicas no Campo
Uma nova era no agronegócio brasileiro vem se consolidando através da digitalização, que envolve a integração de máquinas conectadas, análise de dados e conectividade. Essas mudanças estão revolucionando a maneira como os produtores tomam decisões e gerenciam suas culturas. Um exemplo emblemático dessa transformação é o projeto Fazenda Conectada, desenvolvido pela Case IH em 2021, em Água Boa, no Mato Grosso. Com uma área de aproximadamente 3.800 hectares, essa iniciativa atua como uma vitrine tecnológica, demonstrando na prática os benefícios da digitalização no campo.
A Fazenda Conectada já se destacou com a ajuda da Unicamp e da Agricef, apresentando resultados significativos, como a redução de mais de 25% no consumo de combustível e um aumento de 25% na eficiência operacional das colheitadeiras. Leandro Conde, diretor de marketing da Case IH, enfatiza a importância da tecnologia em um mercado de preços instáveis e margens apertadas. Segundo ele, “a produtividade e a sustentabilidade são diretamente influenciadas pela rentabilidade” de cada operação.
Conde complementa ainda que “não existe sustentabilidade sem rentabilidade. Ao reduzir insumos e otimizar o consumo de combustível, o produtor não apenas melhora seu resultado financeiro como também potencializa seu desempenho ambiental”.
Fazenda Modelo e Resultados Reais
O projeto, que é fruto da parceria entre a Case IH e a TIM Brasil, já se consolidou como um modelo de produtividade. Na safra 2024/25, a Fazenda Conectada conseguiu produzir 14.054 toneladas, resultando em uma média de 75 sacas por hectare. Esse desempenho é 19% superior ao da região e 27% maior que a média nacional, de acordo com dados da Conab.
Alexandre, diretor de desenvolvimento de mercado IoT e 5G da TIM, destaca que a conectividade é o motor da agricultura digital: “O campo já conta com máquinas e sensores modernos, mas a verdadeira transformação acontece quando esses dados são enviados para a nuvem. A conectividade é a chave que permite essa evolução”, explica.
Nos últimos cinco anos, o projeto tem sido um exemplo claro de como a tecnologia e a conectividade, quando aplicadas com inteligência, podem elevar não apenas a produtividade, mas também a sustentabilidade no setor agrícola. Além disso, essa abordagem promove a integração entre as pessoas e colabora na diminuição dos custos operacionais.
Eficiência e Redução de Custos
A análise dos dados das safras revela um progresso contínuo na gestão integrada de informações, resultando em eficiência operacional e aumento do rendimento. Comparando a safra 2024/25 com a de 2022/23, a Fazenda Conectada alcançou 1.138 toneladas a mais, com um incremento de 10% na produtividade, subindo de 68 sacas por hectare para 75.
Outra conquista notável foi o redimensionamento da frota. A fazenda conseguiu operar com um trator e uma plantadeira a menos, resultando em aumento de eficiência e redução de custos com combustível e manutenção. Na colheita, a média de área colhida por dia subiu 25%, diminuindo em oito dias o período necessário para essa fase crítica do cultivo.
Estes avanços proporcionaram uma economia de 32% no consumo de combustível, possibilitada pelo monitoramento em tempo real da frota, que resultou na redução do tempo ocioso dos motores e na otimização do uso do maquinário. As despesas gerais também foram impactadas positivamente, com uma diminuição de 7% no custo por hectare, o que representa mais de R$ 1 milhão em economia desde o início do projeto.
Benefícios para a Comunidade
Os benefícios da expansão da conectividade rural vão além das fazendas. De acordo com Dal Forno, a infraestrutura pública de internet permite que comunidades vizinhas tenham acesso à rede. Desde 2018, a TIM tem investido na conectividade rural, abrangendo 26 milhões de hectares e beneficiando mais de 2 milhões de pessoas, além de 350 mil pequenos e médios produtores.
Hoje, a conectividade rural se estende por praticamente todas as regiões agrícolas do Brasil, com projetos em estados como São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul. Grandes grupos, como SLC Agrícola e BP Bunge Bioenergia, já se beneficiam das vantagens da digitalização e da conectividade.
Com a implementação dessas tecnologias, as operações agrícolas não dependem apenas da experiência dos produtores, mas incorporam dados em tempo real. Máquinas, sensores e sistemas que geram informações permitem ajustes imediatos durante todas as etapas, desde o plantio até a colheita. Além disso, as concessionárias podem monitorar remotamente os equipamentos, antecipando falhas e reduzindo o tempo de inatividade.
