A crescente popularidade dos eventos em João Pessoa
Nos últimos anos, a capital paraibana, João Pessoa, tem se tornado um destino cada vez mais popular, especialmente durante festas populares que atraem multidões. Eventos como o Forró Verão e o Sabadinho Bom, no coração da cidade, além das tradicionais festas de São João e diversas atividades ao longo da orla, têm sido amplamente divulgados como modelos de promoção cultural e lazer. Recentemente, a criação de praças horizontais e a concentração de parques em áreas nobres também foram destacadas como exemplos de intervenções urbanas positivas.
No entanto, a alegria que essas festividades trazem pode ser ofuscada pela falta de planejamento. O aumento no fluxo turístico, especialmente durante o verão, não é acompanhado de uma organização adequada para receber o número crescente de visitantes. A pressão das redes sociais e matérias pagas tem incentivado essa afluência, mas, sem um plano estratégico, surgem preocupações sobre os impactos na cidade e em seus moradores.
Desigualdade nos Benefícios do Turismo
Um dos pontos mais críticos levantados por especialistas e residentes é a distribuição desigual dos lucros e custos gerados pelo turismo de massa. Enquanto a cidade promove uma imagem de prosperidade e lazer, muitos moradores questionam: a quem realmente interessa esse modelo? A estrutura que sustenta esses eventos deveria trazer benefícios diretos à comunidade local, mas, frequentemente, os investimentos em infraestrutura, saneamento e serviços básicos ficam em segundo plano.
Por exemplo, o esgoto que acaba sendo despejado nas praias, muitas vezes misturado com a drenagem pluvial, é um claro indicativo das falhas na gestão urbana. Além disso, a proliferação de anúncios de empresas de apostas ao longo da orla contrasta com o que é permitido pelo Código de Posturas da cidade, evidenciando um descompasso entre marketing urbano e a realidade vivida pela população.
Desafios da Gestão Pública e Políticas Urbanas
Essas questões têm sido alvo de críticas dirigidas ao governo estadual, especialmente à Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA), mas também recaem sobre a administração municipal, que enfrenta pressões, especialmente em ano eleitoral. O atual prefeito, Cícero Lucena, que se apresenta como candidato ao governo da Paraíba em 2026, terá que lidar com a crescente insatisfação popular em relação aos serviços públicos.
Esse cenário de tensões se intensifica com a recente aprovação da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS), aprovada em 2024. Com a flexibilização dos limites de altura dos edifícios na orla, conforme o polêmico Artigo 62, especialistas e organizações de controle, como o Ministério Público da Paraíba, consideram essa medida inconstitucional, dado seu potencial para alterar a paisagem urbana sem considerar os impactos ambientais.
Mobilidade Urbana e Acessibilidade em Questão
Outro aspecto relevante é a mobilidade urbana na cidade. O transporte coletivo de João Pessoa é caracterizado pela dependência do transporte individual e pela precariedade do sistema público. A tarifa do transporte coletivo, que é uma das mais caras do Nordeste, não condiz com a qualidade do serviço, que sofre com superlotação e veículos em mau estado de conservação. Essa situação é ainda mais complicada pelo preço elevado do serviço com ar-condicionado, o que agrava a desigualdade no acesso à mobilidade.
O Futuro do Turismo em João Pessoa
Apesar dos desafios, é possível que o turismo e o desenvolvimento urbano caminhem lado a lado de forma positiva, desde que haja um planejamento responsável e um compromisso com a responsabilidade social e ambiental. A proposta de reinvestimento dos lucros gerados pelo turismo em melhorias urbanas e na qualidade de vida da população pode transformar João Pessoa em um exemplo de turismo sustentável e inclusivo.
Assim, cabe a todos os envolvidos — grupos empresariais, governo municipal e estadual — responderem a essa demanda, garantindo que os benefícios do turismo se estendam a todos os cidadãos e não apenas a uma minoria. O futuro do turismo em João Pessoa pode ser promissor, mas requer ação imediata e eficaz para evitar um colapso urbano.
