A Sustentabilidade do Setor Rural Enfrenta Barreiras
O acesso ao crédito e a confiabilidade do seguro agrícola são questões cruciais para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Em um cenário marcado por altas taxas de juros e restrições orçamentárias, o setor enfrenta desafios significativos que afetam diretamente a capacidade de investimento dos produtores rurais, além de prejudicar a competitividade da cadeia produtiva.
De acordo com o deputado federal Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), a ausência de repasses federais destinados ao seguro agrícola, somada aos vetos a dispositivos essenciais da Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliou a insegurança no campo. “Na safra 2024/2025, o governo federal não disponibilizou nenhum recurso para o seguro agrícola, o que é extremamente preocupante. Além disso, o subfinanciamento da Embrapa e os obstáculos para a regularização fundiária são questões que não podemos ignorar”, ressalta o deputado.
A avaliação foi feita em uma entrevista concedida à Presença Paraná S/A durante o Show Rural Coopavel, evento de destaque no setor agropecuário, que ocorreu no estande do Sicredi em Cascavel.
Lupion enfatiza que, além dos desafios estruturais, o alto custo do crédito dificulta o planejamento e a execução de atividades pelos produtores. “Com juros em torno de 15%, a ideia de um crédito acessível é impossível. O endividamento está crescendo, e os agricultores precisam de alternativas para continuar investindo em tecnologia, produtividade e práticas sustentáveis”, destaca.
Alternativas de Financiamento Privado para o Agronegócio
Diante desse cenário, a Frente Parlamentar Agropecuária tem se esforçado para fortalecer mecanismos de financiamento privado. Entre as iniciativas está a consolidação dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agropecuárias (Fiagros), o aperfeiçoamento das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e a defesa da não tributação desses títulos. “Elaboramos leis para facilitar o financiamento privado, garantindo que os produtores tenham acesso a recursos mesmo em um ambiente econômico adverso”, explica o parlamentar.
Outro tema sensível abordado por Lupion é a securitização das dívidas rurais. Ele informa que a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta no valor de aproximadamente R$ 30 bilhões, mas o governo decidiu seguir com uma medida provisória de R$ 12 bilhões, que até o momento não chegou aos produtores. “Essa MP pode caducar sem uma solução efetiva, especialmente para aqueles que enfrentam dificuldades há anos, como os produtores do Rio Grande do Sul”, afirma.
O Papel do Debate Político e a Preocupação com o Futuro do Agronegócio
Além dos desafios financeiros, o deputado projeta que as discussões políticas serão fundamentais para definir o futuro do agronegócio no Brasil. “O agronegócio representa cerca de um terço do nosso PIB, gera 30% dos empregos e é responsável por mais da metade das exportações. É vital que tenhamos um ambiente político que respeite o setor, assegure a segurança jurídica e incentive investimentos”, conclui Lupion.
