Defesa Política Firme Frente às Investigações
Em meio a investigações que envolvem seu filho, Lulinha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça que a Polícia Federal (PF) está livre para conduzir suas investigações. “É relevante ressaltar que o presidente Lula deixa a PF investigar”, afirmou uma fonte próxima ao filho do presidente em entrevista ao g1. Essa declaração se tornou um ponto de apoio, especialmente entre os integrantes da base governista, que procuram distinguir a postura de Lula da que foi adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao ser questionado sobre as alegações contra Lulinha, um deputado federal do PT lembrou que, durante o governo anterior, “o presidente costumava trocar delegados da Polícia Federal para proteger sua família”. Essa referência à administração de Bolsonaro, em resposta a uma denúncia apresentada em 2020 pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro, agora senador, reflete o clima tenso que envolve as investigações atuais.
Escândalo em Evidência: Quebra de Sigilos e Reação do Governo
A crescente pressão sobre o governo e sobre Lulinha intensificou a defesa política após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do filho do presidente, ocorrida na última quinta-feira (26), em uma sessão tumultuada que deixou governistas em dúvida quanto aos procedimentos. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, emitiu um comunicado esta semana, afirmando que, em resposta a uma “incessante campanha midiática que divulga dados parciais e sigilosos”, buscou acesso ao inquérito que investiga as fraudes no INSS. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) confrontou a situação ao revelar que autorizou essas quebras de sigilo em janeiro, a pedido da PF, o que gerou ainda mais controvérsia.
As acusações contra Lulinha estão atreladas a um dos principais lobistas envolvidos em um esquema de desvio de aposentadorias e pensões, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Além disso, a empresária Roberta Luchsinger, de São Paulo, também é citada nas investigações. De acordo com informações, a PF detectou cinco pagamentos que totalizam R$ 1,5 milhão, feitos por uma empresa do Careca para Roberta, levantando suspeitas sobre a legalidade desse dinheiro.
Mensagens Reveladoras e Amizades Questionáveis
Conversas no WhatsApp entre Careca e um ex-sócio revelam que o lobista se referiu a um pagamento de R$ 300 mil a Roberta, mencionando que o valor era “para o filho do rapaz”, sem especificar a quem se referia. Um ex-funcionário do Careca, que colaborou com a PF, alegou que o lobista afirmava pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha para que ele ajudasse a World Cannabis, uma das empresas do Careca, a vender produtos relacionados ao canabidiol ao Ministério da Saúde.
Em outra troca de mensagens, Roberta fez referência a um envelope encontrado durante uma operação da PF que continha o nome “Fábio” — provavelmente se referindo a Lulinha — e ingressos para um show. A resposta do lobista foi apenas um “Putz”, seguido de Roberta pedindo para que ele descartasse os telefones. Esses detalhes foram interpretados como indícios de um possível envolvimento de Lulinha no esquema, embora a defesa busque descredibilizar essas acusações.
Amizades e Defesas Sólidas
Um amigo próximo de Lulinha revelou que ele nunca negou sua amizade com Roberta Luchsinger, que é também amiga da esposa de Lulinha. Além disso, outros envolvidos no caso destacam que o filho do presidente mantém relações com Gustavo Gaspar, um assessor já investigado, que também está no radar da PF. A documentação encontrada pela Polícia Federal aponta pagamentos significativos, como R$ 40 mil em dinheiro vivo e anotações que indicam valores suspeitos relacionados a Gaspar.
Em meio a toda essa controvérsia, os defensores de Lulinha garantem que não há evidências de que ele tenha recebido valores do Careca para influenciar decisões no Ministério da Saúde ou na Anvisa. O advogado Marco Aurélio Carvalho, que já atuou anteriormente em defesa de Lulinha, lembrou que o filho do presidente já foi alvo de falsas acusações, como a posse de bens luxuosos, que não são verdadeiros.
O advogado de Roberta, Bruno Salles, confirmou que ela recebeu valores do Careca, mas argumentou que esses pagamentos eram legítimos e não destinados a Lulinha. Segundo Salles, a narrativa apresentada sobre Roberta repassando dinheiro carece de lógica, uma vez que ela realmente estava prestando serviços ao Ministério da Saúde, representando interesses legítimos. Quanto às mensagens que levantam dúvidas, Salles afirmou que elas foram tiradas de contexto e fazem parte de uma conversa muito mais ampla que ainda não foi tornada pública, devido ao sigilo do inquérito.
