Desafios e Alianças
Davi Alcolumbre, do União Brasil, tem se mostrado uma figura central na política brasileira ao longo dos anos. Desde que entrou para a cena política aos 23 anos, o senador já ocupou a presidência do Senado, cargo que assumiu pela primeira vez em 2019, aos 41 anos. Em 2025, Alcolumbre foi reeleito para liderar o Congresso com uma expressiva maioria. Atualmente, ele controla a alocação de aproximadamente R$ 6 bilhões em emendas destinadas a senadores. Para fortalecer sua posição no governo Lula 3.0, indicou Waldez Góes, do PDT, para o ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Apesar das diferenças partidárias, essa indicação exemplifica como as alianças são fundamentais na política brasileira. Contudo, o verdadeiro talento de Alcolumbre está em abafar os escândalos que frequentemente surgem em sua trajetória.
Desde outubro de 2021, seu nome tem estado envolvido em diversas polêmicas. Um dos episódios mais notórios ocorreu quando a revista Veja revelou que seu gabinete estava relacionado a um esquema de rachadinha, que arrecadou cerca de R$ 2 milhões em cinco anos. Após a divulgação, Alcolumbre negou as acusações e acusou a mídia e seus oponentes de tentativas de intimidação.
Escândalos e Investigação
Em 2022, Paulo Boudens, um de seus assessores, firmou um acordo com o Ministério Público e se comprometeu a devolver o montante envolvido. Embora Alcolumbre tenha sido excluído do processo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) passou a agir, algo que, por lei, deveria ocorrer apenas em casos que envolvam autoridades com foro privilegiado. Na época, o procurador-geral Augusto Aras, que contava com o apoio de Alcolumbre em sua recondução ao cargo, estava sob pressão devido à sua atuação durante a pandemia de Covid-19.
Recentemente, novos problemas surgiram para Alcolumbre em 2024, quando a Polícia Federal desmantelou um esquema de desvio de emendas na operação Overclean. Mensagens entre os investigados indicavam que Ana Paula Magalhães, sua chefe de gabinete, teria auxiliado na liberação de R$ 14 milhões no ministério de Góes. Apesar das alegações, Alcolumbre se defendeu, afirmando: ‘Confio plenamente nela e reajo com indignação à tentativa de relacionarem seu nome a qualquer ilegalidade’. Até o momento, o inquérito prossegue sem acusações formais contra os envolvidos.
Coligações e Novas Revelações
Em 2025, Alcolumbre se viu novamente no centro de uma investigação, desta vez em relação a um esquema bilionário de descontos irregulares nas aposentadorias. Documentos revelaram transferências de R$ 3 milhões de uma empresa ligada ao Careca do INSS para o mesmo assessor mencionado anteriormente. Em uma estratégia política, o senador formou uma aliança com membros do Partido dos Trabalhadores para obstruir a convocação de Frei Chico, irmão de Lula, e assegurar a proteção do sigilo do assessor.
Outras revelações recentes, como as que conectam Alcolumbre ao fornecimento de medicamentos contrabandeados por Beto Louco, têm alimentado a controvérsia. O senador, em vez de se manifestar, optou por decretar um sigilo de cem anos sobre registros que poderiam esclarecer a situação. Esses eventos indicam que ele está tentando esconder mais do que expor.
Movimentos no Senado e Oposição
Atualmente, a prioridade de Alcolumbre parece ser barrar qualquer avanço nas investigações relacionadas ao caso Master. Ele deixou claro que não permitirá a criação de uma CPI e, em uma tentativa de controlar a narrativa, tentou obstruir reuniões de um grupo de trabalho que investiga as fraudes, utilizando normas da época da pandemia para justificar sua posição. Apesar de Renan Calheiros, coordenador do grupo, ter avançado com as reuniões, a falta de poder para quebrar sigilos limita as ações da investigação.
Ainda assim, a pressão sobre Alcolumbre continua a aumentar, especialmente em relação à investigação que envolve R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá, que foram aplicados em papéis do Banco Master. O presidente do fundo, Jocildo Lemos, que foi indicado por Alcolumbre, pediu exoneração após ser alvo de uma operação da Polícia Federal, enquanto seu equipamento de trabalho estava sendo investigado. Se o nome de Alcolumbre for encontrado nos materiais coletados, a questão deverá ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, sob responsabilidade de Dias Toffoli.
Em meio a tudo isso, Alcolumbre continua a ser um personagem intrigante na política brasileira, utilizando suas conexões e habilidades para navegar em um cenário repleto de desafios e controvérsias.
