A Consolidação de Poder de Davi Alcolumbre
Brasília – Davi Alcolumbre, do União-AP, foi reeleito presidente do Senado em fevereiro de 2025, obtendo 73 dos 81 votos possíveis. Essa vitória expressiva não apenas destaca sua relevância na política nacional, mas também o posiciona como um personagem central em meio a um mar de acusações e investigações. Enquanto consolida seu controle sobre a pauta legislativa e a relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), a pressão para decidir sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em relação ao escândalo do Banco Master se intensifica. O que está por vir em sua administração é incerto.
O senador, que já ocupou a presidência entre 2019 e 2021, enfrenta uma série de denúncias que incluem supostos desvios de recursos públicos, como o escândalo da “rachadinha” e a utilização de funcionários fantasmas. Sua liderança é frequentemente criticada como um exemplo de “velhas práticas” da política brasileira, marcadas pela centralização e fisiologismo.
Acusações e Investigações que Cercam Alcolumbre
Davi Alcolumbre está cercado por um número crescente de investigações e acusações. Uma das mais notórias emergiu em 2021, quando a Revista Veja divulgou depoimentos de ex-assessores que afirmaram ter sido contratados como funcionários fantasmas entre 2016 e 2021. Segundo esses relatos, os salários que variavam de R$ 4 mil a R$ 15 mil, deveriam ser devolvidos, deixando aos assessores valores entre R$ 800 e R$ 1.350 mensais. Esse suposto esquema resultou em um desvio aproximado de R$ 2 milhões, levando a uma notícia-crime no STF e a uma investigação na Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora está a cargo do ministro Flávio Dino.
Além disso, no início de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá iniciou uma investigação sobre o uso irregular de jatinhos durante a campanha do senador. As suspeitas sugerem que Alcolumbre utilizou aeronaves de uma empresa favorecida por emendas parlamentares, o que poderia indicar abuso de poder econômico.
As acusações contra ele não param por aí. Em 2022, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou uma notícia-crime que envolvia o uso de recursos do “orçamento secreto” para angariar apoio político durante a sua eleição para a presidência do Senado. Investigações adicionais incluem tráfico de influência e prevaricação, especialmente em relação a uma crítica sobre a lentidão em pautar a sabatina de André Mendonça para o STF quando era presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Alcolumbre, por sua vez, nega todas as alegações, afirmando que se trata de uma “campanha difamatória sem precedentes” e politicamente motivada.
Gestão e Críticas à Centralização do Senado
A gestão de Alcolumbre no Senado e no Congresso Nacional tem sido alvo de contínuas críticas de parlamentares, órgãos de controle e da sociedade civil. Ele é frequentemente visto como o principal arquétipo e defensor das Emendas de Relator (RP9), conhecidas como “orçamento secreto”. Este mecanismo é criticado pela ausência de transparência na distribuição de recursos significativos a aliados. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que suas bases eleitorais no Amapá foram as mais favorecidas por esses recursos.
O senador é acusado de usar sua posição na presidência para controlar a pauta legislativa, “blindar” aliados e obstruir processos que interessem à oposição. Assim, sua recusa em pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, se tornou um ponto de discórdia.
A gestão de Alcolumbre é frequentemente classificada como autoritária e centralizadora, sendo ele acusado de realizar “tratoraços” – votações apressadas de questões polêmicas e complexas, sem o devido tempo para análise por parte dos parlamentares. O senador Eduardo Girão (NOVO-CE) descreveu sua gestão como uma “tragédia”, alegando a subserviência do Legislativo aos interesses de grupos de cúpula.
Um Jovem com Práticas Anacrônicas
Davi Alcolumbre, apesar de seus 48 anos, é visto como um “jovem de práticas antigas”, cuja ascensão ao poder foi facilitada por métodos que remetem ao fisiologismo e ao “toma lá, dá cá”. O uso do orçamento como moeda de troca para garantir a fidelidade de senadores é uma característica comum de sua gestão. A enorme concentração de verbas federais em seu reduto eleitoral, o Amapá, também é uma prova desta prática, assim como o controle sobre indicações a cargos estratégicos.
As denúncias de “rachadinha” e outros esquemas nefastos são vistas como exemplares de clientelismo e desvio de dinheiro público. Alcolumbre é ainda criticado pelo seu estilo fechado e pela preferência por negociações em ambientes privados, em detrimento da transparência pública.
Expectativas para o Futuro
A reeleição de Alcolumbre em 2025, com forte apoio político, exemplifica como as “velhas práticas” podem ainda garantir uma ascensão significativa no cenário político atual. Ele se posicionou como um elo entre diversas facções políticas, obtendo apoio tanto da bancada do PT quanto de Jair Bolsonaro ao prometer estabilidade institucional.
Alcolumbre utilizou sua reeleição não apenas para se promover, mas também para consolidar sua imagem como “fiador” das emendas parlamentares. Sua habilidade em costurar acordos e manipular pautas demonstra uma astúcia que pode moldar o futuro político do país. A forma como gerencia a relação com o STF, utilizando a PEC 8/2021 como um ponto de pressão, reflete uma intenção clara de fortalecer a autonomia do Congresso e redefinir as interações entre os poderes.
Por fim, o cenário político em que Davi Alcolumbre opera continua a ser tenso e repleto de desafios, à medida que ele mantém sua posição e influência no Senado Brasileiro.
