A Escuridão Sorrateira: Uma Reflexão Cinematográfica sobre a Experiência Coletiva
O apagão que atingiu o Amapá em novembro de 2020 agora é tema do curta-metragem “A Escuridão Sorrateira”, que terá sua avant-première nesta sexta-feira, dia 27, no Auditório Macapá do Sebrae. Sob a direção de Kleber Wandel, o filme utiliza o suspense psicológico para transformar um episódio coletivo traumático em uma narrativa sensorial única.
A história acompanha Cecília, vivida por Gabriela de Matoz, que enfrenta o luto e o isolamento extremo enquanto a escuridão avança, tanto literal quanto simbolicamente, em uma cidade paralisada. Com uma construção que envolve ruídos, sombras e silêncios, o curta oferece uma poderosa metáfora sobre resistência, sobrevivência e a vulnerabilidade humana em momentos de colapso.
O roteiro, desenvolvido por Laura Martins e Dylan Cavalcante, teve origem durante o próprio apagão, quando um teaser experimental ganhou destaque nas redes sociais e gerou uma imediata identificação entre os espectadores amapaenses. Com o passar dos anos, o projeto evoluiu e, por meio da Lei Paulo Gustavo, adquiriu forma e estrutura, tornando-se uma das produções mais esperadas da nova geração do audiovisual na Amazônia.
A realização do curta foi possível graças às parcerias entre as produtoras Ói Nóiz Akí, Central de Produção Colaborativa e Wändel Filmes, com o incentivo do edital Latitude Zero – Audiovisual, gerenciado pela Secretaria de Estado da Cultura do Amapá e com o apoio do Ministério da Cultura.
Além de revisitar um episódio recente da história da região, “A Escuridão Sorrateira” também joga luz sobre um apagão mais antigo e silencioso: a invisibilidade da produção cultural do Amapá. O lançamento no Sebrae representa um movimento de afirmação, centralizando o cinema local no debate cultural e social.
A sessão contará com a presença de artistas, realizadores, parceiros institucionais e do público que viveu e sobreviveu às consequências deixadas pela escuridão.
