A Operação da PF e Suas Implicações
Recentemente, a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na Amapá Previdência (Amprev) expôs o senador Davi Alcolumbre (União-AP) a uma crise política significativa. A ação, ocorrida na sexta-feira, 6 de fevereiro, investiga investimentos no grupo Master e trouxe à tona a resistência do Senado em relação à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além disso, essa situação pode influenciar as pautas fundamentais do governo federal.
A análise aponta que a nova realidade política poderá amenizar a resistência do Senado às solicitações do Planalto, em especial na indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram reveladas pelo jornal Valor Econômico, que detalhou como os desdobramentos envolvendo o fundo de previdência do Amapá impactam o cenário político em Brasília, especialmente em um momento crucial para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contexto Político e a Indicação de Messias
Este episódio se desenrola em meio ao período pré-Carnaval, quando Lula expressou sua intenção de formalizar a indicação de Messias ao STF. No dia 4 de fevereiro, momento em que o presidente se reunia com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Alcolumbre estava ocupado nas celebrações do aniversário de Macapá, onde, em vídeo nas redes sociais, dançava com sua esposa, Liana Andrade, convidando todos para a festa.
Contudo, a atmosfera festiva foi abruptamente interrompida dois dias depois, quando a Polícia Federal lançou a operação com foco nos dirigentes da Amprev, incluindo Jocildo Lemos, ex-tesoureiro das campanhas de Alcolumbre. Lemos, indicado para o cargo pelo senador, é considerado uma figura central nas decisões de manter investimentos no grupo Master, mesmo após alertas do Ministério da Previdência Social, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público Federal.
Reações e Consequências
Em resposta à operação, Alcolumbre emitiu uma nota institucional expressando sua confiança nas instituições e na justiça, além de manifestar apoio às investigações e a expectativa de que os responsáveis sejam punidos. Apesar do tom cauteloso, a operação trouxe à tona a dificuldade em sustentar a narrativa de um possível “acordão” entre os Três Poderes para limitar as investigações sobre o grupo Master.
Diferentemente do que se viu no episódio da Rioprevidência no Rio de Janeiro, a ação no Amapá não resultou em prisões, restrigindo-se a buscas e apreensões. A operação também não afetou Alberto Alcolumbre, irmão do senador, que ocupa um cargo de conselheiro do fundo, mas abriu um importante flanco político, com potencial para gerar repercussões no Senado nas semanas seguintes.
