TSE Confirma Cassação
Na última quinta-feira (30), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, de forma unânime, pela cassação do mandato da deputada federal Silvia Nobre Lopes, popularmente conhecida como Silvia Waiãpi (PL-AP). A parlamentar foi penalizada por utilizar recursos destinados à sua campanha eleitoral de 2022 para financiar procedimentos de harmonização facial, uma prática considerada ilegal segundo as normas eleitorais.
A cassação já havia sido decidida previamente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE/AP), mas a deputada recorreu ao TSE, onde seu caso foi analisado em profundidade. O episódio veio à tona após uma denúncia feita pela ex-coordenadora da campanha de Waiãpi ao Ministério Público (MP) Eleitoral.
Valores e Irregularidades
Segundo as investigações conduzidas pelo MP, a deputada teria utilizado a quantia de R$ 9 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para arcar com um procedimento estético. Essa utilização de verbas, segundo a legislação, é estritamente proibida. A decisão de cassar seu mandato foi embasada na ocorrência de “irregularidades graves na arrecadação ou nos gastos de campanha”.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
O relator do caso, ministro André Mendonça, destacou que as evidências apresentadas foram contundentes, e enfatizou que a conduta da deputada feria diretamente a integridade moral do processo eleitoral, comprometendo a legitimidade do mandato conquistado nas urnas. Inicialmente, o julgamento estava previsto para ocorrer em plenário virtual, mas, após solicitação do ministro Nunes Marques, foi transferido para o plenário físico.
Efeitos da Decisão
Com a confirmação da cassação pelo TSE, os votos recebidos por Silvia Waiãpi nas últimas eleições serão considerados nulos. Isso implica em um recálculo dos quocientes eleitoral e partidário, o que permitirá a redistribuição da vaga anteriormente ocupada pela deputada. O TSE também determinou que a comunicação sobre a decisão fosse feita imediatamente ao presidente do TRE/AP, para que as providências cabíveis possam ser adotadas.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Silvia Waiãpi, que se autodenomina “indígena do Bolsonaro”, pertence à etnia Waiãpi, cuja presença se estende por regiões do Amapá, Pará e até na Guiana Francesa. Antes de sua atuação política, era tenente do Exército e, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi escolhida para liderar a Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai).
Essa situação levanta questionamentos importantes sobre a utilização de fundos de campanha e a necessidade de maior rigor nas normas que regem as eleições. A sociedade acompanha atentamente o desenrolar deste caso, que pode servir de alerta para outros parlamentares em relação à gestão de recursos públicos.
