Oficina Inovadora sobre Diversidade nas Políticas Ambientais
Na última terça-feira, 3, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Acre (Sema) realizou uma oficina intitulada “Gênero, raça e etnia no contexto de políticas ambientais”. O evento ocorreu no auditório do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, e contou com a presença de servidores de diversas secretarias estaduais. Essa iniciativa visa fortalecer o diálogo institucional e incentivar a inclusão das dimensões de gênero, raça e etnia na formulação e execução de políticas ambientais.
A atividade faz parte do Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Igarapé São Francisco e Lago do Amapá. O programa é projetado para unir conservação ambiental, segurança hídrica, segurança alimentar e promoção da igualdade de gênero. A proposta reconhece que os impactos ambientais afetam de maneira distinta homens e mulheres, além de populações negras, povos indígenas e comunidades tradicionais.
A secretária adjunta da Sema, Renata Souza, enfatizou a importância da capacitação, que está alinhada às diretrizes nacionais de justiça climática. “O objetivo é fortalecer a construção de políticas públicas e diretrizes ambientais focadas em gênero, raça e etnia. Atualmente, já contamos com a Resolução nº 511 do Conama, que estabelece normas para promover justiça climática e combater o racismo ambiental. O governo busca, assim, estruturar um ambiente institucional mais preparado para implementar políticas públicas ambientais inclusivas”, disse.
Dinâmicas e Reflexões sobre Inclusão
Durante a capacitação, a equipe da Secretaria de Estado da Mulher do Acre (Semulher) liderou reflexões e dinâmicas destinadas a desconstruir estigmas e esclarecer conceitos relacionados a gênero e raça, além de apresentar ações e programas desenvolvidos pela pasta. A formação destacou a relevância da articulação interinstitucional para fortalecer políticas mais inclusivas.
“No contexto institucional, a formação dos servidores é essencial. Ao compreendermos gênero, raça e etnia, torna-se possível criar políticas públicas mais eficazes e justas”, destacou Paula Luane Braga, chefe do Departamento de Ações Temáticas e Participação Política das Mulheres da Semulher.
A consultora da Unesco, Larisse Cruz, também fez uma apresentação sobre a importância de incorporar a perspectiva de gênero nas políticas ambientais, ressaltando que esse eixo deve estar presente em todas as etapas, desde o planejamento até a execução e o monitoramento das ações.
“Esta é a primeira capacitação realizada dentro do Programa de Resiliência Socioambiental nas APAs Lago do Amapá e Igarapé São Francisco, com foco em gênero, raça e etnia. O principal objetivo é fortalecer o diálogo institucional e assegurar que essas dimensões sejam integradas de forma transversal na implementação do projeto”, afirmou a consultora.
Integração e Impacto nas Políticas Públicas
A capacitação reuniu gestores e técnicos da Sema, Semulher, Secretaria dos Povos Indígenas (Sepi), Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), além da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), com a colaboração do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC).
Francisca Arara, secretária dos Povos Indígenas, comentou: “A oficina sobre gênero, coordenada pela Sema, integra uma política prioritária do governo do Acre, que tem promovido a ampliação da participação feminina em diferentes espaços de decisão e fortalecido a inclusão nas ações institucionais. A iniciativa, apoiada pela Unesco e o Fundo ONU, é fundamental para o fortalecimento da gestão territorial e ambiental do nosso estado”.
Por sua vez, uma servidora pública enfatizou a importância do evento: “Participar dessa capacitação foi crucial, pois marca o início de um processo de qualificação para todos nós. Esse conhecimento será vital para tornar nossos trabalhos com as comunidades ainda mais eficazes, assegurando que sejam melhor atendidas”.
