Caminhos para a Sustentabilidade na Cafeicultura
O Conselho Nacional do Café (CNC) tem se dedicado a monitorar de forma rigorosa a questão da importação de café, sustentando que, apesar dos estoques nacionais estarem baixos, ainda são suficientes para atender tanto a demanda de exportação quanto o consumo interno. O CNC enfatiza que os preços elevados do café devem ser vistos como um indicativo necessário para garantir uma remuneração justa aos produtores, assegurando a continuidade da atividade cafeeira.
Essa remuneração não é apenas vital para a sustentabilidade econômica da produção, mas também fundamental para a garantia de renda às famílias que dependem desse cultivo. Com isso, muitos filhos de cafeicultores conseguem acesso à educação superior, preparando-se para assumir a sucessão nas propriedades. A sucessão familiar, aliás, é um dos pontos de atenção do Conselho, que, em sua atuação, tem reiterado em fóruns internos e internacionais que a falta de uma renda adequada compromete a continuidade da atividade cafeeira nas próximas gerações.
O CNC tem levado esse alerta à Comissão Europeia de Café, a várias entidades do setor cafeeiro internacional e a traders em diversas oportunidades de diálogo, não apenas com países importadores, mas também com nações que são grandes produtores de café. Questões ligadas ao consumo, exportação e o equilíbrio na produção estão sempre na pauta do Conselho, que aborda esses temas de maneira técnica, responsável e contínua.
Formação de Preços e Autonomia dos Produtores
Em relação à formação de preços, o CNC tem se posicionado com cautela, comentando apenas aspectos referentes à produção e aos custos envolvidos. As decisões sobre a comercialização do café sempre foram deixadas aos produtores, respeitando sua autonomia para decidir o melhor momento para a venda. O Conselho não interfere nessa dinâmica, o que é um ponto positivo para a liberdade econômica dos cafeicultores.
Além disso, o CNC tem apresentado, de forma consistente, dados e análises sobre as três últimas safras brasileiras, incluindo percepções independentes da entidade, assim como alertas sobre a safra em colheita atualmente, não só no Brasil, mas também em outros países produtores de café. Essas análises são fundamentadas em previsões climáticas que, de fato, estão se confirmando, indicando uma safra maior, tanto no Brasil quanto em diversas nações cafeeiras.
Entretanto, o estoque de passagem ainda é considerado baixo, sendo necessário recompor os estoques reguladores. Para isso, serão necessárias pelo menos duas safras consecutivas com volumes maiores, o que os produtores esperam ansiosamente. A preocupação com medidas unilaterais, como tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, continua a ser uma realidade no setor.
Diálogo e Cooperação Internacional
Neste cenário, o CNC acredita que, diante de um governo americano percebido como cada vez mais imprevisível, o caminho mais eficaz é sempre buscar a negociação. O anúncio recente da redução de tarifas pelo governo dos EUA é visto pelo Conselho como um passo positivo nessa direção. O CNC reafirma sua convicção de que o diálogo e a colaboração internacional são essenciais para a estabilidade do mercado cafeeiro global.
Essas reflexões e considerações do Conselho Nacional do Café são fundamentais para entender os desafios e oportunidades que a cafeicultura brasileira enfrenta atualmente, especialmente em um momento em que a sustentabilidade e a continuidade das gerações envolvidas na produção de café precisam ser garantidas.
