Um Marco de Incompetência e Isolamento
A BR-156, com suas 93 anos de história, é a obra rodoviária mais antiga ainda em andamento no Brasil. Desde que a primeira pá de terra foi movida em 1932, quando Brasília ainda era um sonho distante e a Lua aguardava sua conquista, a rodovia permanece inacabada e simboliza a falta de compromisso com o desenvolvimento do Amapá. Com um trecho de 110 km coberto de lama, essa estrada se tornou uma verdadeira odisseia para quem tenta atravessá-la.
A BR-156 se apresenta como a coluna vertebral do Amapá, planejada para conectar o estado de ponta a ponta em 823 km, ligando Laranjal do Jari, no sul, até Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. O que deveria ser uma rota estratégica para o comércio, na realidade, se transforma em um desafio de sobrevivência, especialmente durante o chamado “inverno amazônico”, quando a estrada se transforma em um mar de atoleiros, tornando impossível o tráfego e isolando comunidades por semanas.
Promessas Desfeitas e Realidade Cruel
Ao longo de quase um século, a BR-156 assistiu a muitos momentos marcantes na história do Brasil e do mundo, como a criação de Brasília, a chegada do homem à Lua, e até mesmo a invenção da internet. Entretanto, a conclusão da rodovia permanece apenas em promessas vazias. A história da BR-156 é marcada por um ciclo interminável de promessas eleitorais e contratos que frequentemente começam e logo param, resultando em bilhões de reais gastos em soluções temporárias, como manutenções que são rapidamente desfeitas pela força das chuvas.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), encarregado da rodovia, enfrenta uma série de desafios logísticos e burocráticos. No entanto, a falta de uma solução definitiva ao longo das décadas ressalta uma falha crônica no planejamento e uma evidente falta de prioridade política para o desenvolvimento da região. Essa realidade é bem ilustrada no conteúdo de um vídeo do canal do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, onde especialistas discutem as obras na BR-156 que visam acabar com o isolamento do Amapá e integrá-lo ao restante do Brasil.
Potencial Ignorado e Conexões Perdidas
No Oiapoque, a presença de uma moderna ponte binacional que liga o Brasil à Guiana Francesa, e por conseguinte à União Europeia, é um reflexo do potencial econômico que a BR-156 poderia desbloquear. Entretanto, essa infraestrutura se transforma em uma “ponte para lugar nenhum”, visto que a precariedade da rodovia impede que caminhões de carga cheguem até ela de forma segura e competitiva.
Assim, o potencial de integração econômica e comercial se perde. A situação crítica da estrada não apenas encarece o frete, mas também danifica veículos e eleva o custo de vida no norte do Amapá, cuja população enfrenta um cotidiano repleto de dificuldades. As consequências diretas desse abandono incluem o isolamento de municípios durante o período de chuvas, o encarecimento de alimentos e combustíveis, prejuízos à cadeia produtiva local e a inviabilização do corredor comercial com a Europa.
Impactos na Vida dos Amapaenses
Para os moradores da região, as repercussões vão muito além da economia. O que se vê é uma violação do direito de ir e vir, com dificuldades para acessar serviços de saúde e uma crescente sensação de abandono. Os dados socioeconômicos, que são monitorados pelo IBGE Cidades, ilustram um estado que está praticamente refém da lama. A construção da BR-156, que deveria ser um símbolo de progresso, se transformou em um triste lembrete das promessas não cumpridas e do descaso com a população amapaense.
