Expectativas para o agronegócio com a Queda da Selic
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil (BBAS3), Gilson Alceu Bittencourt, compartilha sua visão otimista em relação ao agronegócio brasileiro, especialmente se a Selic, a taxa básica de juros, continuar a apresentar um declínio. Durante o segundo dia da Agrishow, Bittencourt afirmou que uma redução na taxa de juros, mesmo que em um ritmo mais lento do que o inicialmente esperado, pode criar um cenário mais propício tanto para novos investimentos quanto para a resolução de dificuldades financeiras junto a instituições e credores. Ele observou que a inadimplência está concentrada, em grande parte, em indústrias de máquinas e insumos.
O Banco do Brasil, que possui uma carteira dedicada ao agronegócio avaliada em R$ 406 bilhões, projeta uma estabilidade contínua até 2026. Segundo Bittencourt, manter esse volume de crédito será desafiador, especialmente considerando os vencimentos a serem repostos e um ambiente de crédito mais restrito. Sobre a Agrishow, o banco prevê um volume de negócios que pode chegar a R$ 3 bilhões. Ele comentou que, mesmo estando ainda no início da feira, com cerca de um dia e meio de eventos, o desempenho até o momento é positivo e as chances de atingir a meta são boas.
Desafios e Oportunidades no Setor
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De acordo com o vice-presidente, o agronegócio não enfrenta uma crise estrutural, mas sim desafios pontuais. Essa visão já havia sido defendida por Bittencourt em um evento do UBS em janeiro. Ele explicou que a safra atual demonstra que o setor continua robusto, com boas áreas plantadas e produtividade satisfatória, o que indica um agro vibrante. A expectativa é que os índices de adimplência sejam retomados, especialmente devido ao critério mais rigoroso adotado nas concessões de crédito, além da ampliação das garantias e uma análise mais detalhada da capacidade de pagamento dos produtores.
Entretanto, Bittencourt destacou que o cenário desafiador está mais presente em determinadas áreas da região Centro-Oeste e entre perfis específicos de produtores. Ele ressalta que, embora os preços estejam em níveis aceitáveis dentro da média histórica, muitos produtores enfrentam dificuldades de fluxo de caixa. Essa situação se agrava devido a dívidas de custeio prorrogadas devido a problemas climáticos e preços elevados no início de 2024, além de investimentos realizados quando os insumos estavam caros.
Estratégias para Produtores Alavancados
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Para os produtores que estão alavancados, Bittencourt sugere que a reestruturação das dívidas em prazos maiores é um caminho viável. Ele mencionou a Medida Provisória 1314, que possibilitou a renegociação de R$ 36,6 bilhões em dívidas, sendo que R$ 33 bilhões estão vinculados a taxas livres, com mais da metade dessas taxas sendo pós-fixadas. Isso significa que à medida que a Selic diminui, as taxas de juros para os produtores também caem. Os restantes R$ 3,6 bilhões são com taxas controladas, concentradas especialmente no Rio Grande do Sul.
Entretanto, o simples alongar das dívidas não é suficiente. Existe a necessidade urgente de ajustes financeiros, que incluem a redução de investimentos, a revisão de custos e, em alguns casos, a venda de ativos. Bittencourt frisou que muitos produtores imobilizaram capital em ativos nos últimos anos e que, para reequilibrar suas finanças, pode ser necessário liquidadar parte desses bens.
Recuperações Judiciais e o Futuro do Agronegócio
O vice-presidente do Banco do Brasil também comentou sobre o processo de recuperações judiciais (RJs). Segundo ele, esse mecanismo ainda está em aprendizado tanto para os produtores quanto para o Judiciário, com uma evolução visível na adequação do uso do instrumento, embora ainda existam distorções em alguns pedidos realizados apenas para adiar dívidas. Um novo provimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) trouxe mais clareza para o que pode ser incluído nas RJs, o que tende a criar um ambiente mais seguro para todos os envolvidos.
Por fim, Bittencourt observou que já existem produtores que entraram com pedidos de RJ e agora buscam sair desse processo. Ao contrário do que muitos pensam, a recuperação judicial não é apenas uma pausa nos pagamentos; implica em ter um terceiro administrando os negócios e a necessidade de demonstrar reestruturação efetiva. Ele alerta que, em algumas situações, a RJ pode levar a uma condição financeira pior do que uma renegociação direta com credores. A expectativa é que, com mais entendimento, o número de RJs diminua ao longo do tempo, favorecendo um agronegócio mais saudável e sustentável.
