Controvérsias Durante a Nomeação
Na última semana, o governo federal anunciou a nomeação de Delano Tavares como assessor especial do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. A portaria, assinada em 12 de março e publicada no Diário Oficial no dia seguinte, exonerou Sérgio Henrique Rodrigues do cargo. Contudo, a situação gerou repercussões negativas quando Tavares, ao invés de se preparar para assumir a nova função, estava de férias em Bora Bora, na Polinésia Francesa, desfrutando de momentos de lazer com a esposa e amigos.
Em suas redes sociais, o novo assessor não hesitou em compartilhar imagens de passeios de jet ski, momentos de descanso à beira da piscina e degustações de vinhos em um dos destinos mais paradisíacos do mundo. Essa exposição excessiva de sua vida pessoal em um momento considerado ‘interessante’ pelo público gerou críticas de alguns servidores e especialistas em direito administrativo.
Defesa em Meio a Críticas
Consultados pela coluna, especialistas em direito administrativo ressaltaram que, apesar de a nomeação e posterior posse geralmente ocorrerem de maneira imediata, Tavares tem até 30 dias para assumir oficialmente o cargo, conforme as normas atuais. O ministério do Turismo se posicionou, afirmando que Tavares não está recebendo salário durante este período e que já se encontrava em viagem quando sua nomeação foi anunciada. Entretanto, seu nome já constava no portal da pasta como assessor do ministro, o que, segundo alguns críticos, contraria a expectativa de uma transição mais ágil e direta.
Após a repercussão negativa dos registros da viagem, Tavares decidiu alterar seu comportamento nas redes sociais, parando de compartilhar fotos do destino turístico. Em lugar disso, passou a publicar conteúdo relacionado ao trabalho, incluindo um vídeo mostrando seu chefe, Feliciano, durante uma agenda em Buenos Aires. Na quinta-feira, o assessor optou por tornar seu perfil privado, uma medida que, aparentemente, visa evitar novos olhares críticos.
A Rotina do Ministério e a Expectativa de Trabalho
Fontes próximas ao ministério do Turismo indicam que o setor de cerimonial, que foi chefiado pelo ex-assessor Sérgio Henrique Rodrigues, enfrenta uma alta demanda de trabalho, o que torna a nomeação de Tavares em meio a férias um ponto de estranhamento para os servidores. “A expectativa é que a pessoa que assume o cargo esteja plenamente disponível para atender às necessidades imediatas do ministério, especialmente em um setor que demanda tanta agilidade”, comentou um dos servidores que pediu anonimato.
Tavares tem uma trajetória no setor público, tendo atuado como secretário-executivo de Turismo na Paraíba sob a gestão de João Azevêdo. Contudo, foi exonerado no final do ano passado devido a uma crise política entre os grupos do governador e do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, do MDB. Seu irmão, Diego Tavares, também deixou recentemente o secretariado de Lucena. Além disso, Delano é suplente da senadora Daniella Ribeiro, do PP, e almeja uma candidatura a deputado estadual.
Considerações Finais e Expectativas para o Futuro
O episódio envolvendo Delano Tavares levanta questões sobre a adequação da conduta de um assessor em um momento crucial de sua carreira e a percepção pública em relação à política. Enquanto alguns defendem seu direito a férias, outros questionam a ética de expor o cargo em um contexto de lazer. O desenrolar dessa situação poderá influenciar não apenas a reputação do novo assessor, mas também a confiança da população nas nomeações feitas pelo governo.
