A Rotina de Bolsonaro e seus Envolvimentos
Acupuntura, caminhadas sob escolta e um programa esportivo na TV: o laudo da Polícia Federal (PF) expõe detalhes da rotina de Jair Bolsonaro na Papudinha. O documento se torna uma ponte para entender o contexto que envolve as movimentações financeiras no Amapá.
No dia 19 de julho de 2024, durante uma reunião extraordinária da Amprev, a situação financeira do Master, banco cuja operação foi classificada como”altamente arriscada”, tomou conta das discussões. As revelações sobre a aquisição de R$ 500 milhões em letras financeiras, feita pela Caixa Asset, braço de investimentos do banco estatal, levantaram bandeiras vermelhas ao serem vistas como uma decisão precipitada frente à situação de liquidez daquele banco. Relatos de que dois gerentes da Caixa haviam sido destituídos por se opor a essa compra demonstram a pressão interna para manter a operação.
Além das preocupações com a liquidez, técnicos da Caixa apontaram que o modelo de negócios do Master era “de difícil compreensão”. A situação se complica ainda mais pelo fato de o CEO da instituição, Daniel Vorcaro, juntamente com seus sócios Augusto Lima e Maurício Quadrado, ter enfrentado processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Investigações e Vigilância do TCU
A confirmação de que a Caixa não recebeu o parecer favoravelmente, e a destituição dos gerentes, trouxe à tona a necessidade de uma investigação mais profunda. O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) iniciaram procedimentos para apurar a situação. A ata da reunião da Amprev, datada de 19 de julho, revela que José Milton Gonçalves propôs a aquisição de R$ 100 milhões em letras financeiras do Master, já tendo o fundo do Amapá injetado R$ 200 milhões na instituição anteriormente.
No entanto, a proposta não foi bem recebida. Dois conselheiros expressaram ressalvas acerca de novos aportes após tomarem conhecimento dos pormenores do parecer da Caixa. Um deles, Alexandre Monteiro, enfatizou que o caso exigia cautela, principalmente pelo risco reputacional que poderia afetar o fundo de pensão. Ele sugeriu uma diligência no Master antes de qualquer decisão sobre novos investimentos, o que foi apoiado por Gláucio Bezerra.
Os Riscos da Operação e o Papel da Amprev
O conselho se deparou com outro ponto crítico: os investimentos no Master não contavam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a iminente liquidação do banco pelo Banco Central, a perspectiva de recuperar os R$ 400 milhões aplicados se tornava escassa. Essa realidade alarmou os conselheiros, que se mostraram preocupados com a concentração dos títulos no Amapá e os potenciais danos à imagem do fundo.
Em resposta às preocupações levantadas, Jocildo Lemos, presidente da Amprev, tentou reverter a situação. Ele minimizou o parecer técnico, chamando-o de “histórias do mercado”. Apesar das objeções, argumentou que a Caixa não havia rejeitado o acordo com o Master e ainda assim colocou a proposta de Gonçalves em votação, prometendo que a operação só seria finalizada após uma visita ao banco.
Decisões Polêmicas e a Influência Política
A votação culminou em aprovação, mesmo com a resistência de Bezerra e Monteiro. O fato de Gonçalves, o responsável pela diligência proposta, já estar sob investigação por irregularidades na gestão do fundo de previdência de Macapá gerou ainda mais desconfiança. Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Amapá decidiu pelo afastamento de Gonçalves do comitê de investimentos da Amprev, mas a decisão não foi acatada pelo fundo, que alegou a absolvição de Gonçalves em primeira instância.
Curiosamente, nas redes sociais, Gonçalves tem compartilhado imagens ao lado de Josiel Alcolumbre, irmão do presidente do Senado. Essa relação entre o clã Alcolumbre e o fundo de pensão despertou preocupações sobre o apadrinhamento nas indicações. O investimento de quase meio bilhão de reais no Master gerou temores de um rombo nas pensões do estado, uma situação que ambos têm negado.
As movimentações no Amapá revelam uma trama complexa, onde decisões financeiras são permeadas por relações políticas e interesses particulares. Assim, a conexão entre Alcolumbre, Gonçalves e o Master continua a ser um tema que suscita debates e investigações, enquanto a população observa o desenrolar dessa história.
