Medidas de Combate à Vassoura-de-Bruxa
A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) anunciou, na última terça-feira (27), uma série de ações para enfrentar a disseminação da vassoura-de-bruxa da mandioca no estado. Essa doença, considerada de caráter quarentenário, tem causado danos significativos à produção agrícola local.
Conforme a portaria divulgada no Diário Oficial do Estado, a ocorrência da praga foi confirmada em dez municípios: Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Porto Grande, Cutias do Araguari e Ferreira Gomes. A principal finalidade das novas medidas é impedir que o patógeno chegue a áreas ainda livres da doença, evitando assim prejuízos econômicos para os agricultores da região.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) descreve a vassoura-de-bruxa da mandioca como uma doença altamente destrutiva, provocada pelo fungo Rhizoctonia theobromae. Comumente chamada de “morte descendente da mandioca”, a doença se espalha rapidamente através de material de plantio e ferramentas, tornando essencial o controle rigoroso para resguardar as lavouras saudáveis.
Restrições e Proibições
Segundo a nova portaria, está proibida, por um período inicial de 120 dias, a movimentação de plantas e partes da mandioca provenientes dos municípios afetados em direção a locais que ainda não apresentem registros da praga. O descumprimento dessas normas poderá resultar em penalidades administrativas e sanções penais para os infratores.
Os produtos que não podem transitar entre os municípios incluem raízes com casca, folhas in natura, raspas destinadas à alimentação animal, puba (ou carimã) e raízes descascadas sem um destino previamente comprovado. Por outro lado, é permitido o transporte de farinha de mandioca, tucupi, goma (polvilho), folhas cozidas e raízes lavadas e descascadas, desde que estejam embaladas a vácuo ou tenham um destino verificado.
Monitoramento e Ações em Comunidades Indígenas
O governo do Amapá planeja realizar visitas técnicas a estufas térmicas na Aldeia Manda, localizada em Oiapoque, para direcionar esforços no combate à doença em comunidades indígenas. Equipes especializadas também estão responsáveis pelo monitoramento em agroindústrias de derivados de mandioca em Mazagão e pela fiscalização do trânsito agropecuário em municípios como Ferreira Gomes e Tartarugalzinho. Essas ações têm como objetivo garantir a conformidade com as normas sanitárias estabelecidas.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência fitossanitária, reconhecendo a vassoura-de-bruxa como uma grave ameaça à segurança alimentar e econômica das comunidades rurais na região.
Identificação dos Sintomas da Doença
Os principais sintomas da vassoura-de-bruxa incluem a morte descendente, onde a parte superior da planta começa a secar e morrer em direção às raízes. As hastes afetadas apresentam escurecimento dos vasos, conhecido como necrose vascular, quando cortadas. Além disso, a aparência de vassoura é marcada por ramos secos, encurtamento entre as gemas e brotações excessivas, conferindo às plantas um aspecto semelhante a uma vassoura velha.
As plantas afetadas também podem apresentar nanismo, folhas amareladas (clorose) e secagem rápida. Dados da Embrapa indicam que já foram realizadas 2.262 inspeções em propriedades rurais, com 40 amostras coletadas para análises laboratoriais. Atualmente, o Brasil registra 53 casos confirmados de vassoura-de-bruxa da mandioca, sendo 48 no Amapá e 5 no Pará.
Embora a portaria inicial tenha sido publicada em 20 de janeiro, a versão final e corrigida entrou em vigor a partir de terça-feira. O governo continua a trabalhar para mitigar os impactos da doença e proteger a produção de mandioca no estado.
