Oportunidades e Benefícios do Acordo
O agronegócio brasileiro está prestes a colher benefícios significativos com a recente aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Na última sexta-feira (9), as lideranças dos dois blocos econômicos deram o sinal verde para a assinatura do tratado, que está prevista para o dia 17 deste mês. A união desses importantes mercados, que juntos somam cerca de 720 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, representa uma grande oportunidade para o Brasil, o maior país do Mercosul. Esse acordo abre as portas para um mercado de aproximadamente 451 milhões de consumidores, o que promete ampliar as exportações brasileiras.
A proposta assegura a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários que o Mercosul exporta para a União Europeia. De acordo com uma matéria divulgada pelo Portal G1, essa mudança permitirá um aumento nas vendas de produtos tradicionais como café, peixes, crustáceos, frutas e óleos vegetais, cujas tarifas de importação serão gradualmente eliminadas no mercado europeu.
Impactos Econômicos e Geração de Empregos
Além das vantagens para o agronegócio, o acordo estipula a redução de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias trocadas entre a União Europeia e o Mercosul. Estimativas feitas por instituições europeias indicam que as exportações do bloco para a América do Sul podem crescer até 39%. Isso poderá resultar na geração de aproximadamente 440 mil empregos na Europa, um impacto significativo para a economia do continente.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que abrange os setores produtivos de ovos e das carnes de frango e suína, comemorou o anúncio, considerando-o um avanço importante para a previsibilidade e fortalecimento das relações comerciais entre os dois blocos. A entidade ressaltou que este acordo reafirma o Brasil como um fornecedor confiável de proteínas animais, apoiado por padrões de sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva.
O Papel do Brasil no Cenário Global do Agronegócio
Reconhecido como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil se posiciona como um forte beneficiário do acordo. Atualmente, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, ficando atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também manifestou seu apoio à aprovação do acordo, considerando-o um marco importante após mais de duas décadas de negociações e ajustes. Tirso Meirelles, presidente da entidade, afirmou que as barreiras tarifárias impostas pelo governo Trump no ano anterior reforçaram ainda mais a necessidade de acordos bilaterais que ampliem o comércio internacional brasileiro.
Benefícios para o Setor de Grãos e Carnes
Embora as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho já não enfrentem barreiras tarifárias na União Europeia, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) destacou que o setor também se beneficiará com o novo acordo.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que a carne bovina brasileira possui duas categorias de tarifas para exportação para a União Europeia. Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, da qual o Brasil exporta 10 mil toneladas anuais com uma taxa de 20%. Se o acordo for ratificado, essa tarifa será eliminada. Para outros cortes de carne bovina, a taxa atual é de 12,8%, acrescida de 221,1 euros por 100 kg, que também poderá ser zerada.
Café e Concorrência no Mercado Europeu
No que diz respeito ao café, produto que ocupa o segundo lugar em valor exportado para a União Europeia, o café em grão, que corresponde a 97% das vendas do setor, poderá entrar livre de tarifas. Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), mencionou que o acordo poderá tornar o café solúvel mais competitivo no mercado europeu. Atualmente, a concorrência é desleal, principalmente em relação ao Vietnã, que já possui um acordo comercial com a União Europeia para tarifa zero neste produto. Atualmente, a UE aplica taxas de 9% sobre o café solúvel e 7,5% sobre o café torrado e moído. O novo acordo prevê a eliminação dessas tarifas nos próximos quatro anos.
