Circo no Residencial: arte circense perto de quem mora em Macapá
Com 21 anos de atuação no Amapá, a Companhia Cangapé tem inovado ao levar o circo para além dos palcos tradicionais. Por meio do projeto Circo no Residencial, a companhia percorre conjuntos habitacionais de Macapá com apresentações gratuitas e atividades formativas, aproximando a população da cultura local e garantindo o acesso à arte para famílias que, muitas vezes, não têm condições de frequentar espetáculos comerciais.
Na última quinta-feira, 29, a coordenadora-geral da Companhia Cangapé, Alice Araújo, detalhou o projeto durante o programa ‘LuizMeloEntrevista’, do Sistema Diário de Comunicação. Esta é a terceira edição da iniciativa que busca democratizar o acesso à cultura, levando o circo para as comunidades do Amapá. “Circo no Residencial é um projeto muito bonito, em que a gente leva o circo para as comunidades. O objetivo principal é garantir para as comunidades amapaenses o acesso à cultura e à arte, que é um direito constitucional”, explicou Alice.
Espetáculos para todas as idades e famílias
O projeto atende toda a família, sem restrição de idade. O público é diverso, incluindo desde bebês de colo até idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Os espetáculos são livres para todos os públicos e a entrada é gratuita. A proposta inverte a lógica tradicional de acesso ao circo, já que a companhia leva toda a estrutura até os moradores, evitando que as famílias precisem se deslocar até um espaço de apresentação.
Para a equipe, um dos momentos mais emocionantes é quando encontram pessoas que assistem a um espetáculo circense pela primeira vez. É comum ouvir relatos de crianças, adultos e idosos dizendo que estão entrando em um circo pela primeira vez durante as apresentações. Segundo Alice, essas experiências evidenciam a importância de iniciativas que aproximem o público da produção artística local. “A gente leva o circo para as casas, para as pessoas, para a família. Isso nos alimenta da melhor forma possível, de poder mostrar para aquelas pessoas a arte que é produzida no estado do Amapá”, destacou.
Formação artística e próximas etapas do projeto
Além dos espetáculos, o Circo no Residencial oferece oficinas gratuitas nos conjuntos habitacionais visitados. A formação artística é um componente essencial da iniciativa, especialmente para crianças e jovens interessados em desenvolver habilidades circenses.
A próxima apresentação está marcada para sábado, 31, às 19h, no Residencial Vila dos Oliveiras, onde o projeto será levado pela primeira vez. Devido ao espaço limitado, a companhia fará adaptações na estrutura, mas a apresentação será realizada normalmente e seguirá com entrada gratuita. A organização recomenda que o público chegue cedo, devido à grande procura.
Impacto na economia local e valorização da cultura
Além de ampliar o acesso à cultura, a presença do circo nos residenciais movimenta a economia das comunidades. A companhia não comercializa alimentos ou bebidas durante os eventos, permitindo que os próprios moradores aproveitem o fluxo para vender seus produtos. “Se a gente vendesse, a gente tiraria esse lugar da comunidade. Então, a gente deixa isso para a comunidade comercializar”, explicou Alice.
O projeto mobiliza uma cadeia de cerca de 30 profissionais diretamente envolvidos na montagem e execução dos espetáculos, além de motoristas, carpinteiros, costureiras e outros trabalhadores que garantem o funcionamento das apresentações.
Formação de artistas locais e produção cultural amapaense
A Companhia Cangapé mantém um trabalho contínuo de formação artística em sua sede, no bairro do Araxá, onde funciona um Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura. Ali, são oferecidas gratuitamente oficinas de circo, teatro e contação de histórias, entre outras atividades. Atualmente, a companhia também desenvolve projetos relacionados ao audiovisual.
Parte do elenco profissional da companhia é formada por artistas que iniciaram suas atividades ainda crianças nas oficinas da Cangapé. Vários desses jovens alcançaram a profissionalização e hoje vivem exclusivamente da cultura e do circo.
Com duas décadas de trajetória, a Companhia Cangapé já realizou apresentações e projetos em diversas regiões do Brasil e também em municípios do Amapá. Para Alice Araújo, a circulação dessas ações é crucial para democratizar a produção cultural do estado e valorizar os artistas locais. “Tudo que você vê no nosso circo é produção do Amapá. Tudo é Amapá”, afirmou.
Esta edição do Circo no Residencial conta com incentivo da Lei Rouanet, patrocínio do Grupo Equatorial e apoio da Secretaria de Estado da Cultura, reforçando o compromisso com a cultura amapaense.
