Mobilização estratégica para conter adversário regional
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), conhecido por desafiar líderes nacionais, enfrenta atualmente um desafio significativo em sua base política no Amapá. O ex-prefeito de Macapá, Dr. Antônio Furlan (PSD), lidera com ampla vantagem as pesquisas para o governo estadual, colocando em risco a continuidade do grupo político liderado por Alcolumbre. Em resposta, o senador utiliza sua influência em Brasília para tentar evitar a derrota eleitoral do seu grupo e preservar sua posição para as eleições de 2030.
Recursos federais como instrumento de poder
Alcolumbre indicou dois ministros de Estado e controla um orçamento bilionário destinado a emendas parlamentares e cargos federais, como a direção da Codevasf, estatal que promove obras para reduzir desigualdades regionais. Ele direcionou esses recursos para o Amapá, distribuindo obras e máquinas que reforçam sua presença política local. O senador também conta com o apoio de 90% dos deputados estaduais e federais do estado, 15 dos 16 prefeitos, além do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do atual governador Clécio Luís (União Brasil), eleito em primeiro turno.
Aliança partidária e apoio nacional em jogo
Alcolumbre articulou a maior coligação para a eleição, reunindo 12 partidos, e mobilizou apoio até do presidente Lula, que visitou o Amapá durante a campanha — fato incomum dada a tradicional negligência do estado em disputas nacionais. Apesar disso, Dr. Antônio Furlan permanece como favorito, contando com apenas quatro partidos, mas impulsionado por uma agenda popular que inclui shows gratuitos, forte presença nas redes sociais e execução de obras que transformaram a paisagem de Macapá.
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Impacto das obras e popularidade na capital
Dr. Furlan foi reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos, resultado relevante considerando que Macapá concentra 55% dos 577 mil eleitores do estado, além de 15% na região metropolitana. Pesquisa Quaest realizada entre 21 e 24 de agosto indica que o ex-prefeito lidera com 55% das intenções de voto para o governo estadual, contra 35% do atual governador, aliado de Alcolumbre.
Atuação intensa de Alcolumbre no Amapá
Embora não candidato, Alcolumbre age como se estivesse na disputa. Em 14 de agosto, um dia antes do início oficial da campanha, ele passou quatro horas em uma feira em Macapá, cumprimentando eleitores, ouvindo demandas e participando de manifestações culturais locais. Sua atenção às necessidades regionais é tão grande que ganhou o apelido de “vereador do Amapá” em Brasília. No estado, sua atuação é reconhecida por moradores e aliados, mesmo diante de críticas nacionais associadas a suspeitas de corrupção e ocupação de cargos públicos.
Investimentos que transformam cidades e ampliam a base
Em Itaubal, município a 100 quilômetros da capital, a presença de Alcolumbre é visível em obras recentes: reforma da Unidade Básica de Saúde, construção de um conjunto habitacional com 21 casas e uma escola municipal em andamento, todas financiadas por emendas parlamentares indicadas pelo senador. Esses investimentos, somados à privatização do saneamento em 2021 — fruto do marco legal aprovado na primeira gestão de Alcolumbre no Senado —, alteraram significativamente a infraestrutura local, ampliando o calçamento, praças e serviços públicos.
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Dependência da economia local e desafios eleitorais
Apesar das obras, relatos indicam que empregos gerados em obras públicas frequentemente beneficiam parentes e aliados políticos locais, evidenciando a dependência da economia municipal em relação ao poder público. A estratégia de Alcolumbre para reverter a desvantagem eleitoral atual aposta na política e na manutenção dessas redes de influência. “Nós vamos vencer pela política. Anota o que eu digo, vamos virar”, declarou o senador, ressaltando que as emendas são essenciais para o desenvolvimento do Amapá.
Contexto eleitoral e disputas judiciais
Alcolumbre evita declarações públicas sobre política para não prejudicar sua posição, após um episódio em 2020 que favoreceu seu adversário Dr. Furlan. Naquele ano, durante uma crise de energia no estado, o senador afirmou que seu irmão, Josiel Alcolumbre, teria sido eleito se não fosse o apagão, o que prejudicou sua campanha. Atualmente, Furlan enfrenta acusações do Ministério Público Eleitoral por suposta tentativa de burlar a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo de prefeito em março, após um pedido de impeachment por agressão a jornalista. O recurso contra sua candidatura tramita no Tribunal Superior Eleitoral sob relatoria do ministro Dias Toffoli, aliado de Alcolumbre.
Próximos passos políticos e administrativos
A disputa pelo governo do Amapá revela um embate entre estruturas políticas distintas. Caso Dr. Furlan confirme a vitória, seu grupo fortalecerá a base para as eleições de 2030, inclusive com a esposa Rayssa, derrotada em 2022, como favorita a uma vaga no Senado. A movimentação no Judiciário e o controle da prefeitura por aliados de Alcolumbre indicam que a disputa seguirá intensa, com desdobramentos decisivos para o equilíbrio político e administrativo no estado.
