A pesquisa sísmica como base da exploração de óleo e gás
A TGS está entre os primeiros elos da cadeia do setor de óleo e gás, atuando diretamente na pesquisa sísmica, ferramenta essencial para identificar áreas promissoras para exploração. João Corrêa, executivo da TGS, destaca que a atividade sísmica deve caminhar lado a lado com as exigências ambientais. A indústria do petróleo enfrenta uma fase de transformações, sobretudo por conta da transição energética, que impõe uma responsabilidade maior sobre todas as operações.
Desde 2014, a TGS vem ampliando sua atuação na Margem Equatorial, iniciando com projetos 2D na Bacia Pará-Maranhão. Posteriormente, expandiu para áreas do Amapá, águas profundas e Rio Grande do Norte, cobrindo grande parte da margem continental brasileira com dados sísmicos. Desde 2019, o avanço para dados 3D permitiu imagens mais detalhadas da subsuperfície, reduzindo os riscos geológicos e otimizando a exploração.
Além dos aspectos técnicos, a empresa também investe na produção de informações ambientais para subsidiar os órgãos licenciadores. O diálogo com as comunidades locais e a sociedade é parte fundamental desse processo, elevando o debate sobre a exploração das novas fronteiras e seu impacto social. Esse esforço está diretamente ligado à questão da soberania nacional, já que a exploração dessas áreas implica a responsabilidade de proteção e gestão do território.
Sísmica e soberania territorial: o papel da Marinha e do Ibama
A Marinha do Brasil reconhece a importância dos dados da TGS para a expansão da plataforma continental do país. João Corrêa compara a pesquisa sísmica a uma radiografia da subsuperfície, que revela a configuração das camadas geológicas e identifica locais com potencial para hidrocarbonetos. Embora a confirmação da existência de petróleo dependa da perfuração, o levantamento sísmico reduz significativamente os riscos envolvidos na exploração.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
A soberania territorial é reforçada pela incorporação de cerca de 360 mil quilômetros quadrados na Margem Equatorial, baseada em dados produzidos pela TGS e utilizados pela Marinha. Com a expansão dessas áreas, o Brasil assume não apenas benefícios econômicos, mas também obrigações ambientais e sociais. Por isso, os levantamentos sísmicos seguem condicionantes ambientais rigorosas do Ibama, que exigem pesquisas detalhadas sobre a biodiversidade local. Somente na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas, foram investidos dezenas de milhões de dólares em estudos ambientais, gerando um conhecimento valioso sobre os ecossistemas marinhos dessas regiões.
Preparação das comunidades locais para a exploração
A geração de riqueza a partir da exploração dos recursos naturais deve contemplar as populações que vivem nas áreas próximas. Para isso, é fundamental investir em capacitação e preparação dessas comunidades. João Corrêa conta que, desde o início de sua atuação na região, buscou envolver as federações industriais do Pará e Maranhão para fomentar essa discussão. Sem essa preparação, as vagas de emprego e oportunidades poderão ser ocupadas por profissionais de outras regiões, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde a indústria petrolífera já está consolidada.
Embora a exploração ainda seja uma perspectiva em desenvolvimento, a melhoria na qualidade dos dados sísmicos e as recentes descobertas na Guiana e na África aumentam a concretude dessa possibilidade. A continuidade das atividades exploratórias é vista como essencial para garantir a segurança energética do Brasil no futuro, preservando a autonomia do país frente aos desafios globais.
Projeto Peixe-Boi: um exemplo de compromisso ambiental
Entre os projetos ambientais vinculados à pesquisa sísmica, o Projeto Peixe-Boi se destaca. Criado a partir de exigências de licenciamento, o projeto envolve o monitoramento diário das praias da Margem Equatorial e a reabilitação de animais na Ilha do Marajó, em Soure. Inicialmente focado na estabilização de animais órfãos, o trabalho ganhou reconhecimento do Ibama e evoluiu para um recinto de aclimatação, fundamental para preparar esses mamíferos aquáticos para a reintegração à natureza.
A participação ativa das comunidades locais foi essencial para o sucesso do projeto, que posteriormente integrou o Plano Nacional de Preservação do Peixe-Boi. Essa iniciativa vai além da conservação ambiental, gerando impacto social ao aproximar a população das ações de preservação e sensibilização ambiental.
Perfil profissional de João Corrêa
João Corrêa é uma liderança de destaque no setor de geofísica marinha e exploração energética no Brasil. Como Country Manager e Global Account Manager da TGS no Brasil, ele conduz as operações locais da multinacional norueguesa e gerencia a parceria técnica com a Petrobras. Além disso, atua como co-líder do Comitê de Licenciamento Ambiental da Amcham-Brasil, participando ativamente da discussão de políticas ambientais para a indústria.
Antes da TGS, João liderou a Spectrum Geo no Brasil por mais de 11 anos, acumulando experiência em aquisição de dados sísmicos offshore. Também exerceu funções de diretoria na Amcham Brasil, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento regulatório e o diálogo entre indústria e sociedade.
Especialista em pesquisa sísmica e novas fronteiras, ele coordena campanhas geofísicas em áreas de grande relevância exploratória e regulatória, com forte atuação na Margem Equatorial. Seu trabalho conecta tecnologia, sustentabilidade e soberania, traduzindo inovação em resultados concretos para o setor energético brasileiro.
