Início oficial do El Niño e projeções da NOAA
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira (11) o início do fenômeno climático El Niño. A agência americana projeta que o evento deve se intensificar para níveis moderados ou fortes nos próximos meses.
Segundo a NOAA, a probabilidade de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro subiu para 63%, frente aos 37% estimados no mês anterior. Caso se confirme, esse seria um dos El Niños mais intensos registrados desde o início dos dados, em 1950.
O que é o El Niño e sua influência no clima
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal da superfície do oceano Pacífico próximo à linha do Equador. Esse aumento da temperatura, medido em relação à média histórica, impacta diretamente padrões climáticos globais.
Os ventos alísios, que normalmente empurram águas quentes na direção da Ásia, tendem a enfraquecer durante o El Niño, provocando esse aquecimento no Pacífico. O fenômeno oposto, conhecido como La Niña, ocorre quando esses ventos se intensificam e a temperatura da superfície do oceano fica abaixo da média.
Classificação da intensidade do El Niño
A intensidade do El Niño é medida pela elevação da temperatura da água do Pacífico, próxima à linha do Equador. Um evento considerado “muito forte” apresenta aquecimento igual ou superior a 2°C acima da média histórica.
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Outras classificações incluem El Niño forte (1,5°C a 2°C), moderado (1°C a 1,5°C), fraco (0,5°C a 1°C) e neutro (-0,5°C a 0,5°C). Essa variação determina a amplitude dos efeitos climáticos associados.
Impactos previstos para o Brasil
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño de 2024 pode reduzir as chuvas na Amazônia, elevando o risco de incêndios florestais na região. Em resposta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, solicitou que a União e os estados amazônicos e do Pantanal detalhem seus planos de prevenção e combate a incêndios.
Nas regiões Norte e Nordeste, a seca tende a se intensificar, enquanto o Sul do Brasil deve registrar aumento nas precipitações. O Centro-Oeste experimenta elevação nas temperaturas, o que também eleva o risco de fogo em áreas naturais.
No Sudeste, o El Niño costuma provocar aumento da temperatura média, especialmente na primavera e verão, com mais chuvas em partes do sul de São Paulo, centro-sul do Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto áreas mais ao norte enfrentam redução das precipitações. A ocorrência de secas nessa região varia conforme a intensidade do fenômeno.
Consequências globais do El Niño
O impacto do El Niño não se restringe ao Brasil. Kyle Tapley, executivo do WeatherDesk da Vaisala Xweather, alerta que o fenômeno pode prejudicar a produção agrícola no Sudeste Asiático e na Índia, onde as monções essenciais para a agricultura tendem a ser mais fracas.
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Na Índia, que depende das monções para cerca de 70% das chuvas, uma fraca temporada pode afetar culturas como arroz, algodão e soja, impactando uma economia agrícola que representa 18% do PIB local. Na Indonésia, produtores aceleram o plantio para evitar prejuízos diante da possível seca prolongada.
Além disso, a Malásia já sinalizou que o El Niño pode reduzir a produção agrícola do país entre 8% e 10% neste ano.
Impactos na temporada de furacões dos EUA
O El Niño costuma influenciar a temporada de furacões no Atlântico, geralmente resultando em uma atividade abaixo da média. A temporada 2024, que começou em 1º de junho e vai até 30 de novembro, deve ser menos ativa. No entanto, especialistas alertam que furacões fortes ainda podem ocorrer em temporadas mais tranquilas.
O El Niño é um fenômeno que, embora natural, tem efeitos concretos na economia, na produção agrícola, na segurança ambiental e no bolso das pessoas, tanto no Brasil quanto no exterior.
Por Eduardo Silva, traduzindo o impacto econômico para o bolso, emprego, consumo e atividade regional, sem jargão financeiro desnecessário.
