Resgate cultural e ancestralidade no Marabaixo
O Marabaixo, uma das expressões culturais mais significativas da Amazônia amapaense, ganha um novo destaque com o lançamento do livro “Memórias de Velhas”. A obra, assinada por Francisco Santos Borges, apresenta um mergulho nas trajetórias e memórias das mulheres negras que preservam essa tradição secular. O lançamento ocorrerá no dia 12 de junho, às 17h30, na Favela Literária, espaço do Sebrae Amapá voltado para a literatura periférica e tradicional da região.
Além do lançamento, o evento contará com uma mesa de diálogo que reunirá a presença de tia Zezé Libório e das professoras Drª Piedade Videira, Drª Simei Santos Andrade e Drª Raquel Amorim dos Santos, ampliando a conversa sobre a importância cultural da obra. O autor, também homenageado na programação, traz uma pesquisa construída entre memória histórica, poesia e estudos acadêmicos que reforçam o Marabaixo como símbolo de resistência e identidade do povo negro no Amapá.
Memória viva e diálogo com a cultura afro-amapaense
Francisco Santos Borges desenvolveu a pesquisa com base na Teoria da Memória Histórica e no método da História Oral, reunindo entrevistas narrativas, registros fotográficos e relatos colhidos durante a pandemia da Covid-19. Segundo o autor, a obra dialoga com importantes estudiosos da memória e da cultura afro-amapaense, revelando o Marabaixo como uma expressão viva de fé, resistência, tradição e continuidade ancestral.
O livro destaca o papel de cinco mulheres marabaixeiras, consideradas guardiãs do patrimônio imaterial amazônico: Tia Joca, Tia Zefinha, Tia Zefa do Quinca, Tia Biló e Tia Zezé Libório. As histórias dessas mulheres ajudam a compreender a relevância do Marabaixo para a construção cultural e histórica do estado do Amapá.
Territórios da memória e valorização do patrimônio imaterial
Para aprofundar essa construção, a pesquisa percorreu territórios emblemáticos da cultura afro-amapaense, como a Vila de Mazagão Velho, o Quilombo do Curiaú, o bairro do Laguinho e a antiga Favela, hoje bairro Santa Rita. Esses espaços são fundamentais para a preservação da memória negra e para a continuidade dos festejos do ciclo do Marabaixo.
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Mais do que uma manifestação cultural, o livro apresenta o Marabaixo como uma linguagem que envolve o corpo, a música, a oralidade e a performance da cultura negra amazônica, reforçando sua importância como patrimônio cultural e social.
Sobre o autor e a programação do lançamento
Francisco Santos Borges é doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA), mestre em Letras pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e mestre em Linguagens e Saberes na Amazônia pela UFPA. Seu trabalho acadêmico concentra-se nas narrativas de resistência, memórias afro-amazônicas e na escrita de mulheres negras, participando de diversos grupos de pesquisa relacionados aos estudos culturais, literários e sociais da Amazônia.
A obra estará disponível para venda no espaço Favela Literária. Após a mesa de diálogo, o autor estará à disposição para autógrafos, proporcionando uma oportunidade para o público se conectar diretamente com o trabalho e as histórias que o livro traz.
Favela Literária: espaço para a literatura da Amazônia
O espaço Favela Literária, dentro da Expo Favela Innovation Amapá, é dedicado a celebrar e promover a literatura periférica, indígena e tradicional da Amazônia. Com uma programação que inclui debates, exposições, performances e lançamentos, o local se afirma como um importante polo para a circulação e valorização da cultura regional.
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Serviço
Lançamento: “Memórias de Velhas” – sobre a manifestação cultural do Marabaixo na Amazônia amapaense, de Francisco Borges
Data: 12 de junho (sexta-feira)
Horário: 17h30
Local: Favela Literária – Sebrae Amapá (Av. Ernestino Borges, 740 – Julião Ramos)
